O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), Francisco Ivo Cajango Guedes, estima mais pelo menos três anos e meio para que as obras que serão a solução definitiva para os problemas da Marginal Botafogo sejam finalizadas. “(Uma obra final) é o mais certo para conseguir solucionar os problemas da Marginal. Estamos trabalhando para conseguir uma solução definitiva e tirar essa preocupação do goianiense”, disse.

Na manhã desta sexta-feira (16), o rompimento na rede de esgoto da Saneamento de Goiás S/A (Saneago) provocou um desmoronamento de um trecho na Marginal Botafogo, entre a Rua 301 e Avenida Independência, na proximidade da rua de acesso para a Rua 44. A Seinfra e a Saneago, no entanto, divergem quanto ao que gerou o afundamento da pista. O superintendente de Operação da Região Metropolitana da estatal, Laerte Cabral, disse à reportagem que houve uma erosão na última chuva forte que atingiu a capital, na semana passada, que danificou a tubulação e nesta sexta-feira afundou o terreno. O problema inicial seria, então, a erosão. 

Francisco Ivo, por outro lado, disse que houve o vazamento da tubulação, encharcando a terra por baixo do asfalto, o que gerou as rachaduras e o afundamento do solo. O secretário de Infraestrutura garante que o local não é um dos trechos problemáticos da Marginal e afirma que o problema foi o rompimento da tubulação. Conforme o secretário, na semana passada a Seinfra fez um reparo em uma rachadura no local que foi vista por técnicos da pasta. Na última quarta-feira, foi observado em monitoramento que a fissura havia aumentad, e que o solo estava descendo. Uma reunião no local foi, então, agendada para esta sexta-feira com a Saneago, porque suspeitava-se de um problema na rede de esgoto. 

Em outros trechos, no entanto, a marginal possui fragilidades que ficam evidentes no período chuvoso, mas não deixam de existir durante a estiagem. Para esses, se fala em uma reforma completa na obra da Marginal. Em 2000, o então presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), José Luiz prudente D’Oliveira e uma comissão de especialistas já falavam sobre o desejo de interdição da via até que os problemas estruturais fossem sanados. Em 2015 e 2016 o conselho emitiu notas falando sobre os problemas e a necessidade de recuperação.

Licitação

Para esta solução definitiva, o secretário garante que já existe um processo licitatório para a contratação de uma empresa de consultoria e projeto. Ela fará um diagnóstico completo do canal, desenvolvendo então um projeto. Para isso, Francisco Ivo estima pelo menos dois anos.

Com o projeto em mãos, a Prefeitura poderá pleitear a verba, estimada em R$ 35 milhões, junto ao Ministério da Integração Nacional, para a revitalização total. Entre a contratação da empresa, início e fim das obras, contando o período chuvoso, em que os trabalhos deverão ser interrompidos, o secretário estima mais um anos e meio. 

Enquanto isso, conforme Francisco Ivo, servidores continuarão monitorando constantemente o canal e realizando obras de reparo. “Vamos ter que segurar, temos que segurar”, disse, sobre as obras de reparo emergenciais.

Canalização

Engenheiro civil e membro do Crea-GO, Everton Sérgio Schmaltz, explica que o problema da Marginal é antigo. O projeto é da década de 70, com execução da canalização do córrego nos anos 80. As vias propriamente foram finalizadas em 1991. 

Schmaltz, que é um dos autores do estudo que apontou pontos de vulnerabilidade na via, em 2015, disse que a manutenção do Córrego Botafogo foi feita de forma precária ao longo dos anos. “A gente tem aquela ilusão de que o concreto não tem data de validade, mas tem”, disse. De acordo com ele, há 10 anos, pelo próprio tempo em que a obra foi construída, a estrutura já carecia de uma manutenção mais intensa, que não foi feito.

O aumento da impermeabilização do solo na região fez com que a quantidade de água no córrego aumentasse em períodos de chuva. Com isso, o canal passou a ter mais água do que foi planejado, e consequentemente entrou em colapso em alguns pontos, O engenheiro explica que a água vai infiltrando por baixo do canal, levando o solo que o sustenta, e a terra que fica abaixo das vias vão ocupando esse espaço vazio embaixo do canal. Com o tempo, o solo fica mais instável. “É preciso fazer um estudo bem definido de como recuperar esse fundo, e ao mesmo tempo fazer boa análise do sistema hídrico”, disse.