A Secretaria de Estado de Educação de Goiás (Seduc) estuda a possibilidade de distribuir marmitas para alunos da rede estadual de ensino caso haja suspensão das aulas por um período superior a 15 dias. De acordo com a secretária da pasta, Fátima Gavioli, é possível que as cozinheiras continuem trabalhando e que a alimentação seja oferecida para alunos que não tiverem outra opção.

A medida é similar à que já foi tomada em outros locais como Distrito Federal (DF). “Se aquela é a única alimentação de verdade que essa criança tem e a gestão escolar identificar isso, nós não vamos poder recepcioná-los no auditório, ou no refeitório, mas poderemos colocar na marmita a alimentação para que ele coma em casa”, completa Fátima Gavioli.

Conforme nota técnica emitida pelo governo estadual neste domingo (15), a suspensão de 15 dias pode ser classificada como antecipação das férias. Sobre isso, a secretária afirmou que ainda está sendo feita uma análise e que conforme prevê a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB), serão cumpridos os 200 dias letivos.

Fátima disse ainda que dentro de oito dias será possível analisar se as aulas retornam ou se haverá necessidade de suspensão por mais tempo. Em caso de aumento deste período, está sendo estudada ainda a possibilidade de aulas por vídeo que serão gravadas pelos professores da rede estadual e também do envio de listas de exercícios para serem feitas em casa. Ela disse ainda que se responsável não tiver, de fato, com quem deixar a criança, pode haver um atendimento escolar individualizado.

 

Pais
A decisão trouxe opiniões divergentes dos pais de alunos goianos. A gestora ambiental Isis Costa, de 27 anos, é mãe de duas meninas que estudam na rede pública de Goiânia. Ela destaca dificuldade para se adaptarem com a mudança, mas vê a medida com bons olhos. “Tenho receio de colocá-las no meu pai porque ele mora com minha avó que tem mais de 70 anos e faz parte do grupo de risco”, afirma. “Não tenho opções de onde deixá-las enquanto eu e meu marido trabalhamos, então deve ficar assim. Se é para a saúde, devemos adotar”, acrescenta.

A gestora ambiental enfatiza que a medida, no entanto poderia abranger os locais de trabalho. Apesar disso, ela ressalta que vê a determinação como um passo fundamental para conter a disseminação da doença. “Devemos restringir ao máximo qualquer tipo de aglomeração e isto é urgente”, diz.

Já a professora de natação, Giselle Martins da Silva, de 26 anos, mãe do pequeno Felipe Martins, de 2, vê de uma forma diferente. “Achei ruim, vendo que ele estuda em um ambiente particular e estão tomando as melhores medidas em lavar as mãos e ter o álcool em gel. Porém, se acham que é uma medida necessária não temos outra alternativa”, afirma. 

Para ela é cedo fecharem as escolas. “Acho que teriam que trabalhar em conhecimento neste início, assim seria melhor. Focar em cuidados, evitar sim shopping e parques.”. (Catherine Moraes e Jéssica Torres)