Secretarias municipais de Goiás têm procurado meios para comprar mais equipamentos de proteção individual. Fornecedores têm pedido aumento de valor do contrato por causa de mudança de preço no mercado, devido à pandemia do novo coronavírus. Em Goiânia, o fornecimento de álcool em gel foi normalizado, segundo a secretaria municipal, depois de atrasos na reposição em unidades de emergência e urgência, como denunciado em reportagem da TV Anhanguera na última semana.

Já a empresa responsável pelo fornecimento de máscaras pediu o cancelamento do contrato com a Prefeitura, alegando que não encontra o produto para comprar. A empresa terceirizada que fornece luvas hospitalares solicitou a revisão do valor do contrato, que está mais caro para a compra. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia avalia o processo para pedir a autorização da revisão dos valores. Além disso, a Prefeitura entrou com processo de dispensa de licitação para a aquisição desses produtos de outras empresas.

No caso de Aparecida de Goiânia, as empresas contratadas continuam a oferecer os materiais e não houve necessidade de mudança nos contratos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade. No entanto, a demanda pelos EPIs está bem acima do normal.

“Em duas semanas utilizou-se a quantidade de máscaras que normalmente era solicitada ao longo de um mês inteiro”, descreve nota da secretaria de Aparecida enviada para a reportagem. Segundo o órgão, o estoque atual de máscaras atende a demanda do coronavírus por 45 dias. Por isso, a pasta está providenciando a compra de 1 milhão de novas máscaras.

Para conseguir manter o uso das EPIs, as secretarias têm realizado orientações via mensagens pela internet e presencialmente para o uso racional dos equipamentos. Uma das orientações importantes é que elas não devem ser usadas ou compradas por pessoas que não são profissionais de saúde ou que não tenham sintomas de gripe.

A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) reconhece que houve a escassez de alguns insumos e EPIs no mercado brasileiro, como álcool em gel e máscaras. O órgão garante que manteve o fornecimento de EPIs para setores de atendimento ao público e profissionais de saúde.

“Com o intuito de prover o abastecimento, foram abertos vários processos de aquisição, dos quais alguns já encontram-se finalizados, aguardando a entrega”, informou a SES. Além disso, segundo o órgão, nesta terça-feira (24) chegaram diversos itens do Ministério da Saúde, como máscaras descartáveis, álcool em gel, luvas, óculos de proteção e outros.

 

Recurso do MPT vai ser usado para comprar EPIs

Recursos financeiros de multas aplicadas em empresas que desrespeitam normas trabalhistas poderão ser utilizados para comprar novos equipamentos de proteção individual para Goiás. O levantamento do quantitativo dos materiais necessários está sendo feito pelo Hospital das Clínicas (HC) e pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego). Com esse levantamento em mãos, o Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT em Goiás) vai solicitar a transferência desses valores, atualmente em contas da Justiça do Trabalho, paracontas indicadas pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO). 

Segundo o procurador-chefe do MPT em Goiás, Tiago Ranieri, o órgão pretende promover a saúde e segurança dos trabalhadores que não podem exercer suas atividades por meio remoto, como os de transporte público e aplicativos, profissionais da saúde, call centers, usinas de álcool, frigoríficos.
 
Por nota, o Ministério Público do Trabalho informou que já destinou R$ 200 mil para um fundo financeiro criado pelo Estado e pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) para minimizar os impactos econômicos e sociais gerado pela quarentena.