Superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), Flúvia Amorim afirma que as dimensões e diferenças regionais de um país como Brasil, e mesmo de um Estado do tamanho de Goiás, faz com que a estimativa de um pico de casos da doença seja mais incerta e tendo de ser aprimorada. “O pico em São Paulo é um, em Brasília é outro, no Amazonas é outro. E aqui no Estado também, não dá para ser o mesmo pico na Região Nordeste de Goiás e na Região Sudoeste ou em Goiânia”, afirma. Assim, a decisão da SES-GO foi de regionalizar os modelos e estimativas que serão divulgadas a partir de agora.

“O modelo que estamos fazendo agora já vai ser mais confiável do que o divulgado no final de março”, diz o professor José Alexandre Felizola Diniz Filho, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele explica que com o número de casos atuais confirmados em Goiás, embora ainda se considere apenas o início do contágio, já é possível estabelecer dados mais robustos para a realização dos modelos. Nesta semana, o Estado chegou a um mês da primeira notificação, ocorrida em 12 de março, com os três primeiros casos. Ontem, o informe da SES-GO, com 33 dias após a notificação inicial, o boletim informou a existência de 233 confirmações, com 15 óbitos.

No entanto, ainda não há uma nova previsão de quando pode ser o pico ou até mesmo com qual número de casos confirmados se chegaria a este estágio. “O pico é um número alto de casos confirmados, mas não temos a experiência com a Covid-19, temos com a dengue, sabemos quando se dá naquele caso. Mas neste não”, diz Flúvia. Ela explica que ainda não há população suficiente para considerar imune ao vírus, enquanto que a maior parte ainda é suscetível e, por isso, não é possível estabelecer até quantas pessoas poderiam ser contaminadas.

Diniz Filho acredita ainda que o fato das estimativas serem modificadas e prorrogarem os picos mostra que os dados regionais e mais robustos são menos drásticos do que os internacionais, reforçando que as políticas adotadas de isolamento social no início da notificação de casos foi bem estabelecida. “Se estamos estimando um pico de contágio para depois é porque as simulações com os dados atuais mostram isso, o que é bom”, diz. Flúvia reforça que os dados indicam que se está conseguindo fazer o achatamento da curva de contágio, o que é o desejado pelos especialistas.

O professor da UFG lembra ainda que há um problema quanto ao número de testes e o tempo de demora para os resultados ficarem disponíveis, o que demonstra um atraso nos dados. Para ele, seria importante fazer mais testes, até para aferir melhor o R0, que é o índice de contágio de uma pessoa contaminada.

Já Flúvia acredita que de fato uma maior quantidade de testes seria positiva, mas argumenta que não há mais este retardamento quanto aos resultados dos mesmos, pois o Estado tem conseguido melhorar o tempo de espera pelos dados e que havia apenas 60 testes represados até o início da manhã de ontem (13) no Laboratório Central (Lacen). Ela conta que há amostras que chegam ao Lacen em que não há a informação do paciente ou data da coleta. “No início dos casos no Brasil, o Ministério da Saúde abriu para que todas as pessoas pudessem se colocar como suspeitas. Então temos muitos casos de autodeclaração, em que nem há amostras para serem testadas, há um banco de dados sujo atualmente, que o Ministério e a gente ainda vai ter que limpar isso.”