O novo titular da Secretaria Municipal de Educação (SME), o vereador Wellington Bessa (DC), de 36 anos, não tem uma data para o retorno presencial das aulas no ensino fundamental na rede nem de reabertura dos centros municipais de educação infantil (CMEIs), mas defende que isso seria feito de forma mais segura quando houvesse a vacinação dos profissionais da Educação e usa o termo “meses” tanto para que os professores estejam imunizados como para a volta dos alunos às escolas públicas.

Em entrevista ao POPULAR, Bessa usa o mesmo argumento que seu antecessor, Marcelo Ferreira da Costa – que foi titular da SME de janeiro de 2017 até o dia 25 de março deste ano -, para justificar a impossibilidade de reabrir as escolas atualmente, como já ocorre de forma parcial nas escolas particulares. A rede municipal, segundo ele, é bem mais ampla e complexa, envolve 108 mil alunos e 19 mil servidores e não há como garantir segurança nem qualidade pedagógica na forma híbrida de ensino.

“Estamos discutindo isso com o prefeito. As aulas na rede particular já voltaram, mas a rede pública guarda consigo algumas peculiaridades, o quantitativo de profissionais e de alunos é bem mais representativo, demanda um planejamento maior”, disse o novo secretário. “É objetivo nosso, sim, que haja o retorno das aulas presenciais, mas para isso precisamos garantir segurança e sanidade aos profissionais.”

Bessa tomou posse como secretário no dia 26 de março. Diz que tem experiência na área, pois atuou como professor em cursos de graduação e pós em Direito, foi coordenador de um núcleo de ensino em uma instituição particular e advogou em Direito Educacional, atuando como defensor de instituições de ensino superior e sindicatos. Ele afirma ter uma visão sobre gestão que pode trazer benefícios para a pasta que assume. “Sou educador, sou professor desde 2009, comecei a ministrar aula com 24 anos.”

O secretário diz que atualmente o maior desafio da SME é fazer o planejamento para o retorno das aulas presenciais, se preparar para avaliar os déficits dos alunos durante o tempo em que ficaram em casa e como lidar com a recuperação de cada um. “A dificuldade maior é recuperar esse tempo, sabemos o quanto é ruim esse afastamento não só pedagogicamente, mas também psiquicamente. Nosso objetivo é avaliar tudo o que as crianças absorveram neste período e trabalhar na recomposição do conteúdo e eventuais déficits já para este ano.”

Entretanto, o titular da SME diz que a palavra final sobre o retorno das aulas será da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com ou sem vacinação. “Isso tá sendo discutido com a secretaria de saúde, o que a secretaria nos recomendar será seguido, se falar que todos deve ser vacinados, será seguido.”

Questionado sobre qual seria a posição dele caso a SMS permita o retorno mesmo sem a vacinação e lembrado que os sindicatos dos professores defendem o retorno somente após a imunização total dos trabalhadores, Bessa disse que vai prevalecer a orientação da pasta da Saúde. “Obviamente a vacinação é algo que pode antecipar esse retorno e trazer a segurança que a gente espera.”

Sem previsão no PNI

O Plano Nacional de Imunização (PNI) prevê que os trabalhadores da educação no Ensino Básico sejam vacinados após a conclusão da imunização dos idosos acima de 60 anos, dos portadores de comorbidades, de pessoas com deficiência permanente grave, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

Em Goiás, o governo estadual colocou para serem vacinados em paralelo aos idosos todos os servidores das forças de segurança. Existe uma pressão para que os trabalhadores em educação e motoristas de transporte coletivo também sejam puxados para cima na lista de prioridade, mas ainda não há nada concreto neste sentido. Para Bessa, é uma questão de “meses”. “Eu particularmente acredito que em meses nós teremos uma vacinação e vamos conseguir voltar aos poucos à normalidade”, comentou.

O novo secretário diz que está aproveitando o decreto municipal que prevê o revezamento de abertura e fechamento das atividades não-essenciais para trabalhar o planejamento de retorno às aulas e que deve ter algo a ser apresentado após o fim do segundo período de fechamento, previsto para ocorrer entre os dias 14 e 27 de abril. Ele diz que as aulas do ensino fundamental voltam antes da reabertura dos CMEIs. “Os pais precisam muito destes CMEIs, mas é um prejuízo pedagógico menor.”

Bessa também não acredita que haverá uma evasão por parte dos alunos quando as aulas presenciais voltarem, primeiro porque existe uma demanda forte por parte dos pais para que os filhos de até 6 anos tenham onde ficar para que possam trabalhar e a partir dos 7 anos até os 14 a influência dos pais sobre os filhos para que não abandonem o ensino ainda seria grande.

Mesmo não tendo um prazo para o retorno das aulas, Bessa demonstra otimismo e diz já estar planejando o uso da tecnologia de ensino virtual para que siga como complemento às aulas presenciais, chamando a estrutura usada atualmente de “herança positiva” do período vivido pela educação.

O secretário também defende que haja uma preocupação com o desempenho da rede municipal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), cujo avanço ele diz ter sido tímido nos últimos anos, apesar de ressaltar que o período de pandemia deve ter impacto nos indicadores dos alunos.

Convite

Bessa diz que vinha mantendo conversas com o prefeito desde fevereiro para que assumisse um cargo na Prefeitura de Goiânia com a “possibilidade em auxiliar na gestão bastante bem intencionada do prefeito”, mas que o convite para a pasta da Educação veio uma semana antes da posse, este último ato no dia 26. Ele não foi o primeiro nome cogitado para o lugar de Marcelo Costa, mas Valéria Pettersen, ex-titular da SME de Aparecida, que chegou a ser convidada, encontrou resistência para sua indicação.

O secretário diz que recebeu o convite diretamente do prefeito, com quem se reunia para levar demandas como vereador e também “dos segmentos que representava”, citando sindicatos que atuava como advogado, o setor de supermercados e academias. “Sentamos algumas vezes levando demanda dos segmentos que representava. Nestas conversas foi afunilando no sentido de ele me chamar para a gestão”, disse.

Conforme O POPULAR mostrou na semana em que o nome de Bessa foi confirmado, sua indicação ajudou na articulação de Rogério com a Câmara Municipal, agradando vereadores da base aliada.