A retomada das aulas presenciais precisa ser discutida, mesmo que não aconteça este ano. Este foi um dos consensos entre os participantes do terceiro webinar promovido pelo Grupo Jaime Câmara na tarde desta quinta-feira (6). O debate virtual ainda discutiu as dificuldades que o ensino tem enfrentado para chegar de maneira eficiente para cada aluno durante a pandemia e como as deficiências que serão diagnosticadas poderão ser minimizadas.

O moderador do webinar, o jornalista da TV Anhanguera, Anderson Pancieri direcionou perguntas ligadas ao assunto, muitas delas enviadas por internautas participantes. Ele começou o encontro com uma questão direcionada à secretária estadual de educação, Fátima Gavioli, sobre a declaração do governador Ronaldo Caiado (DEM) a respeito de ter segurança para retomar as aulas presenciais apenas quando existir uma vacina eficaz para prevenir o coronavírus.

Fátima disse que a fala do governador foi recebida como a de um gestor médico, que gostaria de ter esta segurança, mas não como uma recomendação. Ela ainda afirmou que este retorno vai depender de entendimentos técnicos dos órgão de saúde e de enfrentamento à crise, mas também das discussões que já existem, mas que precisam ser aprofundadas para se chegar a um acordo. Mas ela destaca que só poderá ocorrer a retomada quando houver controle mínimo da doença.

Fátima ainda disse que as dúvidas ainda deverão persistir, até mesmo depois do retorno às aulas. “Faz parte deste momento. Nunca vivemos isto antes, existem incertezas até nas discussões e debates. O debate sobre o que fazer e como fazer nesta volta às aulas é fundamental. Mas uma coisa é certa: não será como antes. Acredito que teremos um avanço muito grande, em todos os sentidos.”

Presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE) e do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiás (Sepe-GO), Flávio Castro concorda e diz que o primeiro semestre foi “brilhante”, mesmo com as dificuldades e novidade da obrigação das aulas remotas. Ele destacou que a decisão, ainda em 15 de março, de manter o ensino em Goiás foi muito importante. “Se tivéssemos optado por esperar, hoje não teríamos este avanço nas discussões e práticas.”

O presidente do CEE reconhece as dificuldades, mas diz que a retomada deve ser discutida de maneira prática. Ele entende que esta avaliação tem de ser individual, em cada escola e sala de aula. Ele defende não ser possível ter apenas uma receita que atenda a todas as necessidades dos alunos, por conta da quantidade de realidades existentes. E justamente por esta complexidade, ressalta que as discussões precisam ser priorizadas.

Fátima Gavioli comentou que os protocolos para a retomada das aulas presenciais da rede pública de Goiás já estão definidos e passam por análise de Comitê de Operações de Emergência (COE). “Estamos discutindo como seria, se viriam apenas alguns alunos, se o professor que é do grupo de risco ou tem pessoas de risco (na residência) ficaria em casa para continuar com aulas remotas para quem também não pode ir à escola. São muitos detalhes.”

A consultora sócia da Falconi Consultores de Resultado, que atua na área da educação, Izabela Lanna Murici também participou do encontro. Ela entende que as redes de ensino precisam fazer diagnóstico para traçar estratégias. Ela ainda ressaltou que este ano letivo não está perdido e que é importante a definição de planos que atendam às necessidades dos alunos, como apresentado no webinar pelos participantes, seja com reforço para quem precisa, diluição de conteúdo não assimilado em 2020 nas atividades de 2021. “A alternativa será encontrada por quem vivencia, por isso é importante a participação de todos, desde pais, alunos, professores, diretores.”

A secretária também reconheceu que não é possível atingir a todos os alunos. “Mas antes da pandemia a gente também não atingia. A gente tinha evasão e tinha reprovação. Mas agora a educação está em pauta e a definição de novas ferramentas e plataformas está numa posição que, talvez sem a pandemia, não estivesse hoje. Definitivamente a educação vai além do ensino formal, que se pode medir. O que estes alunos aprenderam neste ano, o que tiveram que superar, vai além.”

Ela ainda disse que em monitoramento da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), 89% dos alunos são alcançados pelas aulas remotas, seja com apostila, aulas na TV, rádio ou internet. Os outros 11% estão divididos, segundo a secretária, em 5% dos alunos que mesmo com acesso não querem participar das aulas, por questões emocionais, por exemplo, e os outros 6% que não têm acesso às aulas. “Esta desigualdade já existia e a pandemia escancarou tudo isso, mas também nos fez pensar para traçar estratégias para melhorar isso.”

O CEO do Grupo Jaime Câmara, Breno Machado, também participou do evento, que foi transmitido pela internet.