O secretário estadual de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, reconhece que leitos de hospitais que deveriam ter ficado prontos ajudariam no combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), mas garante o que o número atual é razoável. Reportagem publicada na edição desta segunda-feira (7) mostrou que Goiás tem quatro hospitais - três estaduais e um federal - com conclusão atrasada, que se tivessem sido inaugurados ofereceriam 170 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) a mais no Estado.

“Qualquer leito a mais faria diferença. A gente faz este cálculo (de quantos precisa) baseado em estimativa, mas só o tempo vai nos dizer quantos leitos a gente vai precisar a mais. O fato é que nós temos um quantitativo bastante razoável”, avalia o secretário.

A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) trabalha para oferecer cerca de 800 leitos exclusivos para pacientes com coronavírus em Anápolis, Formosa, Águas Lindas, Luziânia, Itumbiara, Jataí e Porangatu. Além deles, já está em funcionamento o Hospital de Campanha (HCamp) de Goiânia no recém inaugurado Hospital do Servidor.

Dos três hospitais estaduais que já deveriam ter sido concluídos, apenas o de Uruaçu, que começou a ser construído em 2013, está com a obra em andamento. A SES-GO atua para retomar e concluir o serviço da unidade de Águas Lindas, que começou em 2004 e foi estadualizada em 2014, ainda este ano.

Já a unidade de Santo Antônio do Descoberto não tem previsão de ser retomada, o convênio federal que garantia recursos para ela foi cancelado em 2018 por perda de prazo e ela possui diversos problemas de execução diferente do projeto.

“Este processo tem tanto problema que optamos por concentrar forças naquilo que a gente consegue resolver e tem dinheiro para resolver. (...) Nas demais (Águas Lindas e Uruaçu) temos”, esclarece.

O proprietário da Aires Construtora, empresa licitada para concluir a obra de Santo Antônio do Descoberto em 2018, Igor Stephano, diz que apesar do fim do convênio federal, o contrato ainda está vigente e tem validade até 2022. Ele diz que a empresa tem interesse em retomar a obra, caso houvesse recurso para isso, e garante que em três meses consegue entregar a parte da estrutura onde ficam os leitos de UTI. A empresa acrescentou que, diferente do que foi publicado nesta segunda-feira, entregou a documentação necessária para a continuidade da obra e acrescentou que a outra empresa, que vencera a licitação nos anos 2000, foi que não apresentou os documentos.

Lentidão

Ismael Alexandrino diz que está em andamento uma nova licitação para a retomada das obras do hospital de Águas Lindas, que está parada. Segundo o secretário, a empresa que estava responsável pela obra, a Versa Construções, trabalhava em velocidade muito baixa e teve o contrato interrompido. 

Já o engenheiro da obra, Júlio César de Oliveira, afirma que a construção está parada desde outubro de 2018 e não foi retomada porque não foram quitadas dívidas da gestão anterior do governador José Eliton (PSDB), que somavam mais de R$ 1 milhão. Ele diz que pediu a rescisão amigável do contrato em dezembro do ano passado.

Alexandrino rebate: “Foi acordado em agosto que pagaríamos R$ 500 mil e retomaria a obra. Assim que fossem feitas as medições (comprovação de execução da obra) a gente ia pagar. Assim a gente estava fazendo, mas as medições estavam extremamente pequenas, a coisa não estava rendendo”.

Júlio César reconhece o pagamento parcial, mas diz que só conseguiria retomar a obra com o pagamento integral da dívida com a gestão passada. “Como lhe disse, eu não poderia dar andamento na obra sem receber todo o valor em aberto. Não havia nenhuma garantia de pagamento do valor remanescente que restaria”, diz o engenheiro. 

Apesar de ter pedido a rescisão do contrato, o engenheiro garante que se os repasses antigos fossem pagos, teria capacidade de entregar a parte ambulatorial do hospital entre 15 e 20 dias. A área com leitos de UTI e cirurgia demoraria entre seis meses e um ano. 

Prefeito de Águas Lindas, Hildo Candango (PSDB), afirma que se o hospital tivesse sido inaugurado, ele atenderia a população das cidades vizinhas, que não precisaria se deslocar para Goiânia ou Brasília. “Se existisse este hospital grande não precisaria de hospital de campanha”, avalia.

Unidades menores

Sobre os hospitais pequenos que devem ser inaugurados neste mês em Inhumas, Bom Jardim e Campos Verdes, Ismael Alexandrino explica que eles não são visados como espaços para hospitais de campanha.
 
“Como hospital de campanha, a priori, não faz parte do planejamento inicial. (O uso futuro) depende do desenrolar da pandemia, porque até chegar neles tem tantos outros que têm mais capacidade operacional, mais leitos e estrategicamente estão mais bem posicionados”, avalia o secretário estadual de Saúde.