Atualizado às 19h02

Projeções apresentadas pelo governo do Estado na tarde desta sexta-feira (3) apontam que, em 30 dias, o número de casos de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) em Goiás pode chegar a mais de 110 mil se houver relaxamento das medidas de isolamento social existentes (veja imagem abaixo). Segundo esta hipótese, seriam necessários quase 9 mil leitos hospitalares para os pacientes, sendo mais de 500 leitos de unidade terapia intensiva (UTI), e o número de mortes poderia ser de aproximadamente 400.

Este é considerado o pior cenário pelos estudos feitos pela administração estadual em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). Também foram apresentados dados referentes à manutenção do isolamento e os reflexos para até 90 dias. De acordo com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), as projeções são traçadas tendo como marco zero o dia 27 de março.

Para o mesmo período, o estudo traçou outras duas situações possíveis. Em caso de manutenção das medidas de isolamento, a perspectiva é de que o número de casos de Covid-19 chegue a 21.354, com o uso de 2.790 leitos hospitalares, sendo cerca de 280 de UTI. Dessa forma, o número de mortes superaria 200.

O melhor cenário é apontado quando há redução do índice de transmissão do vírus entre as pessoas (leia mais abaixo), o que ocorre como efeito das medidas de isolamento e dos hábitos de higiene da população. Nele, haveria 9.306 casos confirmados da infecção no Estado e menos de 200 mortes, com uma exigência menor do volume de leitos hospitalares e de UTI, que seria de cerca de 1,6 mil e 190, respectivamente.

Longo prazo

Além das perspectivas para o período de 30 dias, foram analisadas as possibilidades existentes para até 90 dias no Estado. Nesta parte, também foram consideradas as hipóteses de afrouxamento e manutenção das medidas de isolamento social e dos hábitos de higiene da população.

Assim como na análise do curto prazo, o pior cenário é aquele em que as restrições de circulação de pessoas são minimizadas. Neste caso, o Estado poderia chegar a 2,2 milhões de infectados pelo novo coronavírus por volta do 40º dia, quando ocorreria o pico do número de casos. Com isso, 58 mil leitos de UTI seriam necessários.

Com a manutenção do isolamento social, o chamado “achatamento da curva” seria visível, com o adiamento do ápice de ocorrências da doença para aproximadamente o 60º dia. Nessas condições, haveria 1,5 milhões de infectados e 24 mil leitos de UTI seriam exigidos.

Sob as melhores condições, no entanto, o número de pessoas doentes cairia drasticamente e não haveria um pico visível de casos, que se distribuiriam em maior quantidade ao longo do 40º e do 70º dia, aproximadamente. Com a redução da transmissão do vírus, 318 mil pessoas seriam infectadas e 3,2 mil leitos de UTI seriam necessários.

O número de mortes em cada um dos cenários também é variável. “A projeção é de 8 mil a 60 mil mortes dependendo do nível de isolamento que for feito”, afirma o secretário de Desenvolvimento e Inovação, Adriano da Rocha Lima.

Ele frisa, contudo, que as estimativas mais precisas são as de curto prazo, como as de 30 dias. “Esse é um tipo de contaminação bastante nova, com poucos dados no mundo inteiro. As estimativas de médio e longo prazo, em função do histórico que se tem, se tornam bem imprecisas. Por isso, temos mais confiança no intervalo de 30 dias”, explicou.

Nível de contágio

De acordo com o governo estadual, a capacidade de transmissão, chamada de fator R0, do novo coronavírus é de 1.6 em Goiás, atualmente. O índice aponta a quantidade de pessoas para as quais cada infectado é capaz de transmitir o vírus. “Quanto mais alto ele for, mais rápido a doença se dissemina na população. O efeito do isolamento é justamente diminuir esse fator”, explicou Adriano de Rocha Lima. “Medidas feitas em outros países mostram que, sem isolamento, esse número pode chegar a até 3”, completou.

O Estado estima que, com o afrouxamento do isolamento social existente, o índice pode chegar a 2.2 e apenas não chegaria a 2.5 ou 3 devido às medidas de higiene já adotadas pela população. Com a manutenção das restrições, contudo, a perspectiva é de que o fator caia para 0.95, o que implicaria no cenário mais otimista apontado entre as três projeções.