A transexual Ana Beatriz Miranda, de 48 anos, foi presa na última terça-feira (1º) suspeita de um homicídio culposo, quando não há intenção de matar, ocorrido em 2008. Ela é acusada, de acordo com a Polícia Civil, da morte de Sidnei Pereira Guedes, com 25 anos à época dos fatos, também transexual, conhecida como Bianca. A suspeita é que Ana teria injetado silicone industrial na vítima, em Ipameri, cidade onde viviam, e após a aplicação a vítima teve complicações e faleceu. Antes do caso, Ana era conhecida na cidade como Kate Mahoney. O nome é uma referência à personagem policial da série de TV norte-americana “Dama de Ouro”, da década de 1980.Em ofício de 3 de setembro deste ano, à pedido da Polícia Civil, o cartório de Morrinhos emitiu um ofício em que informava sobre a mudança de nomes de Ana, que passou primeiramente de Coriolano Marques dos Santos para Keithy Marques, em 2007 e em 2012 para Ana Beatriz Miranda.Em agosto do ano passado, um mandado de prisão foi expedido pedindo a prisão da acusada, mas somente agora ela foi encontrada, em Caldas Novas, Região Sul de Goiás. O titular da delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) do município, Rodrigo Pereira, conta que os agentes encontraram Ana Beatriz após realizarem uma campana, por volta das 19h da terça-feira. “Ela não ofereceu resistência e foi encaminhada para a unidade prisional de Caldas Novas”, relata.O investigador explicou ainda que a polícia do município atuou somente na prisão, mas que não cuidará do caso. “Como a investigação é de Ipameri, ela será ouvida pelo delegado responsável da cidade, mas por enquanto permanece no presídio de Caldas Novas”, explicou. Segundo ele, ainda não há uma data definida de quando será realizada a transferência.A reportagem entrou em contato com o Fórum de Ipameri e uma atendende, que preferiu não se identificar, disse que o órgão ainda não havia sido informado da prisão de Ana Beatriz. De acordo com as investigações, ela também é suspeita de aplicar silicone industrial em outras pessoas, mas os demais casos ainda não foram apurados.O casoA transexual Bianca morreu em 11 de julho de 2008, poucos dias após a aplicação de silicone industrial, em Ipameri. Em reportagem feita pela TV Anhanguera à época dos fatos, o companheiro dela, Reginaldo, que não teve o sobrenome revelado, concedeu entrevista e relatou a situação. Segundo ele, a namorada foi à casa de Ana no dia 7 daquele mês e teria pago cerca de R$ 400 para colocar duas próteses de silicone na região do tórax.Ainda segundo Reginaldo, Bianca começou a passar mal logo na hora da aplicação. “Ela chegou a desmaiar e eles continuaram aplicando”, destacou na entrevista. A TV Anhanguera apurou que depois disso, Bianca deu entrada no Pronto Socorro Municipal no dia 10, e como não havia enfermaria, foi encaminhada para uma clínica particular.O médico que atendeu Bianca na época, Agnaldo Filho, contou à reportagem da TV que ela apresentava tosse, febre e dor torácica. Após avaliação, foi constatado que se tratava de um quadro de pneumonia nos dois pulmões. Por volta das 10 horas da manhã do dia 11 ela teve uma parada cardíaca e morreu por insuficiência respiratória. A pedido da família, o corpo foi levado para o IML da cidade, e só depois o laudo confirmou que a morte seria em consequência da aplicação da substância.A Polícia Civil de Ipameri ouviu o depoimento de Ana Beatriz na noite do dia 14 de setembro daquele ano, mas após os esclarecimentos, foi liberada. A investigação na época foi conduzida pelo delegado Victor Margon, que atualmente é responsável pela delegacia de Goianira. O POPULAR buscou contato com o delegado, mas não obteve retorno.Uma amiga de Bianca - morta após aplicação de silicone industrial em 2008- contou em entrevista concedida à TV Anhanguera, à época dos fatos, que também passou pelo procedimento nas mãos da acusada Ana Beatriz, presa na última terça-feira (1º), em Caldas Novas, que na época era chamada de Kate Mahoney. Ela relatou que fez o procedimento duas vezes e pagou R$ 600 por cada aplicação.Apesar de realizar o sonho, ela afirmou que sabia dos riscos e não recomendava o uso. “Estou feliz com os meus seios, mas não faria isso de novo”, completou. Apesar da morte da amiga, não queria procurar um médico para fazer uma avaliação pelo medo do resultado.A comerciante Luciene Borges Cortez, tia de Bianca, afirmou à TV que esperava que a morte da sobrinha servisse de exemplo. “Quero fazer um alerta para que outras travestis não façam o que Bianca fez. Tinha a saúde perfeita”, lamentou.Bianca foi sepultada no dia 13 de julho de 2008, em Vila Rica, no Mato Grosso, onde viviam os pais. A vítima trabalhava na lavoura, segundo a tia e mesmo tendo consciência do perigo se recusava a desistir do sonho. A comerciante afirmou ainda que já tinha alertado a sobrinha sobre os riscos de usar silicone industrial. Era a segunda vez que ela aplicava o produto no corpo.O POPULAR apurou que Ana Beatriz Miranda, acusada da morte de Bianca, ainda não havia constituído um advogado de defesa, de acordo com a Polícia Civil de Caldas Novas. Risco do produto para o corpoUma amiga de Bianca - morta após aplicação de silicone industrial em 2008- contou em entrevista concedida à TV Anhanguera, à época dos fatos, que também passou pelo procedimento nas mãos da acusada Ana Beatriz, presa na última terça-feira (1º), em Caldas Novas, que na época era chamada de Kate Mahoney. Ela relatou que fez o procedimento duas vezes e pagou R$ 600 por cada aplicação. Apesar de realizar o sonho, ela afirmou que sabia dos riscos e não recomendava o uso. “Estou feliz com os meus seios, mas não faria isso de novo”, completou. Apesar da morte da amiga, não queria procurar um médico para fazer uma avaliação pelo medo do resultado.A comerciante Luciene Borges Cortez, tia de Bianca, afirmou à TV que esperava que a morte da sobrinha servisse de exemplo. “Quero fazer um alerta para que outras travestis não façam o que Bianca fez. Tinha a saúde perfeita”, lamentou. Bianca foi sepultada no dia 13 de julho de 2008, em Vila Rica, no Mato Grosso, onde viviam os pais. A vítima trabalhava na lavoura, segundo a tia e mesmo tendo consciência do perigo se recusava a desistir do sonho. A comerciante afirmou ainda que já tinha alertado a sobrinha sobre os riscos de usar silicone industrial. Era a segunda vez que ela aplicava o produto no corpo. O POPULAR apurou que Ana Beatriz Miranda, acusada da morte de Bianca, ainda não havia constituído um advogado de defesa, de acordo com a Polícia Civil de Caldas Novas. -Imagem (Image_1.1900540)