O Estado de Goiás, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) recebeu, na manhã desta terça-feira (30), o relatório de uma auditoria realizada no Hospital Materno-Infantil Doutor Jurandir do Nascimento (HMI) e o pedido de interdição da unidade pela Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRT-GO). A partir desta terça-feira, a Regulação de Goiânia está impedida de encaminhar pacientes à unidade e o pedido é que o prédio seja demolido. O Estado, responsável pelo hospital, tem 10 dias para apresentar um cronograma de ações emergenciais e também um plano para desocupação total do prédio.

O prédio do Hospital Materno Infantil (HMI) apresentou problemas estruturais, riscos ocupacionais, riscos de incêndio e ausência de rotas de fugas bem dimensionadas, entre outros problemas. De acordo com a SRT-GO, há falta de medicamentos e risco de potencialização de infecções devido à ausência de climatização para manter temperatura ideal dos medicamentos.

“A degradação do prédio é total e não tem condições de acolher o Hospital Materno Infantil. Nós falamos assim porque separamos prédio do hospital. Estamos falando de uma instituição importante e lutamos para salvá-la. São 1.300 trabalhadores além de mais de 30 mil pacientes atendidos anualmente e que estão em perigo”, explica a auditora fiscal do trabalho, Jacqueline Carrijo.

Procurador da República em Goiás, Ailton Benedito explica que a unidade continuará com o funcionamento ‘porta aberta’. Isso significa que quem chegar ao local não terá atendimento negado. “A interdição é administrativa. A unidade continuará tratando os pacientes já em atendimento/internação e novos pacientes não poderão ser encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde. A porta aberta continuará funcionando e quem chegar à unidade não terá atendimento negado. O hospital deverá avaliar os pacientes e quem não atende ao perfil deverá ser redirecionado imediatamente à regulação para encaminhamento às unidades que tenham o perfil do paciente”, disse.

Ailton Benedito diz ainda que o prédio atual não tem condições de continuar recebendo pacientes e que o Estado deve providenciar outro local. “Frisei na reunião que não estamos buscando culpa de A, B ou C. Estamos buscando cumprimento das responsabilidades do governo, da gestão do hospital e de todos os agentes e entes públicos que têm alguma responsabilidade pelo hospital. Nós não estamos interditando e pedindo que todos saiam. Sabemos que a solução não consegue ser dada de um dia para o outro. Estamos falando de problemas de décadas”, concluiu.

O secretário de Saúde, Ismael Alexandrino não participou da reunião e quem representou o Estado de Goiás foi a procuradora-geral do Estado, Juliana Prudente. O encontro aconteceu a portas fechadas na sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Goiânia e só então foram concedidas entrevistas à imprensa, com duas horas de atraso. Depois de receber a documentação, Juliana se pronunciou e disse apenas que o material será avaliado.

“Fomos notificados para comparecer a uma apresentação do resultado de uma auditoria. Tínhamos visto pelos jornais, sobre a possibilidade de interdição, mas só fomos notificados na manhã desta terça-feira (30). Estou com a documentação em mãos e teremos o prazo de 10 dias para apresentação do cronograma. Vamos avaliar toda a documentação: trabalho em conjunto da Secretaria de Estado de Saúde e da Procuradoria Geral do Estado na parte jurídica. Caso seja necessário, outras pastas entrarão, bem como a Organização Social que hoje faz a gestão da unidade de saúde”, acrescentou.