O local onde ocorreu o acidente que vitimou a mãe grávida de cinco meses Meiriany Ester Luiz Cotrim, de 28 anos, e a filha Ana Vitória Luiz da Silva, de 4 anos, possui sinalização horizontal e vertical. Apesar de não ter o semáforo específico para a passagem de pedestres, a travessia não é complicada. A família que tentava atravessar a Avenida Independência, no Setor Leste Vila Nova, na tarde de terça-feira (31) estava quatro metros depois da faixa e não sobre a faixa, segundo confirmação da delegada adjunta da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito (Dict), Maira Bicalho.

A reportagem permaneceu no local por cerca de uma hora e meia e neste período poucas pessoas que passaram pelo local usaram a faixa para concluir a travessia. Funcionária de uma loja na região da Rua 44, Lorena Linhares da Silva, de 32 anos, foi questionada sobre o motivo de não usar a faixa. “Eu estava com pressa”, disse. Depois ela acrescentou que é um hábito. “Quando vejo que está vazio, que não vem carro, eu atravesso”. Depois de perguntar se aquele era o endereço do acidente com a família, disse que não deverá atravessar fora da faixa.

Depois, um grupo de quatro adolescentes que aparentavam cerca de 15 anos atravessaram a avenida no mesmo local onde ocorreu o acidente. Um deles disse que não teria problemas porque eles são “rápidos” e não pararam para conversar ou informarem seus nomes. Logo depois, no mesmo local, um casal também atravessou a rua. No mesmo período, apenas três pessoas usaram a faixa de pedestres. O mototaxista Reinaldo Azevedo, de 39 anos, disse que costuma trabalhar na região e confirma que poucos pedestres tem o hábito de fazer o que é certo. “Eu já quase atropelei pedestre aqui. Quando o sinal abre para quem vem da Pecuária (Rua 200) e vira na Independência, tem gente atravessando porque viu os carros parando na Independência.”

Mãe e filha foram atingidas por um VW Polo dirigido por uma mulher na tarde de terça-feira, 31 de dezembro. Com o impacto, os corpos foram arrastados por cerca de 40 metros. O veículo ainda teria tentado frear, segundo o pai e marido das vítimas Raul Rodrigues informou, pelo menos três vezes. As marcas de freio estavam no asfalto e foram analisadas na terça-feira por peritos criminais.

A condutora do VW Polo ficou no local do acidente até a chegada de socorro e da polícia, passou pelo teste do bafômetro – que deu negativo, e foi liberada. O marido e pai das vítimas disse que ao perceber que um veículo não pararia, recuou e tentou com um braço puxar a filha de 4 anos, sem conseguir. Nem Raul nem a filha caçula que estava em seu colo se machucaram fisicamente no acidente. Sua mulher e filha morreram no local.