A Polícia Civil de Goiás deu início à última etapa da operação que investiga o aumento de crimes de roubo de cargas e defensivos agrícolas no Estado. Intitulada Piratas do Campo - Resposta Final, a ação prendeu, entre mandados de prisão temporária e preventiva, dez pessoas nessa última fase. Entre os investigados estão donos de casas agropecuárias e supermercados em Goiânia e também residentes nas cidades de Novo Progresso (Pará) e Luiz Eduardo Magalhães (Bahia).

Ao todo, a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) - com apoio de várias delegacias especializadas, da Polícia Penal e da Secretaria da Economia – cumpriu 18 mandados de buscas e apreensões e apreendeu mais de R$ 100 milhões em defensivos agrícolas e gêneros alimentícios, todos eles oriundos de roubos praticados em propriedades rurais e cargas embarcadas nas rodovias. Além disso, foram apreendidos cinco veículos, dinheiro em espécie e produtos agropecuários.

Segundo a polícia, as diligências apontaram a existência de uma grande e complexa organização criminosa que atuava nos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia, Pará e Tocantins, e era liderada por membros de uma mesma família (pai, mãe, filho e enteado), todos presos nesta etapa da operação. De acordo com as investigações, a família contratava pessoas para roubar defensivos agrícolas em grandes fazendas e em caminhões que transportavam o referido produto. Os caminhões eram levados então para galpões no Mato Grosso e em Goiás. Nestes imóveis, existiam sofisticadas aparelhagens de indústria química, usadas para adulteração dos defensivos que aumentam a quantidade da litragem em cem vezes mais do que o original, 20 litros se transformavam em 200 litros, por exemplo.

Após a falsificação, os criminosos os reembalavam os defensivos em galões idênticos aos de grandes indústrias, como Bayer e Syngenta, com etiquetas, selos e vasilhames que chamaram a atenção pela semelhança aos originais. Os produtos falsificados eram então colocados à venda em grandes empresas localizadas em várias capitais do país. Donos de gráficas e empresas de embalagens envolvidos no esquema também foram presos na operação. Somadas todas as etapas da Operação Piratas do Campo, mais de 20 pessoas já foram presas.

A Decar informou também que grandes lavouras de milho e soja foram completamente destruídas pelo uso desses produtos, causando prejuízos enormes aos produtores rurais e ao meio ambiente.

Outro desdobramento dessa história foi o fato de que, devido às prisões anteriores dos familiares, e sequestro de seus bens, agentes de segurança pública ligados à investigação foram ameaçados de morte. O líder da organização criminosa chegou a ameaçar, inclusive, um Promotor de Justiça de Minas Gerais, segundo a polícia. Agora, os investigados responderão pelos crimes de roubo majorado com emprego de arma de fogo, concurso de pessoas e restrição da liberdade da vítima; receptação qualificada, crimes contra a ordem tributária, organização criminosa e lavagem de dinheiro.