A enfermeira goiana Claudia de Morais é mais uma no grande número de profissionais de saúde que estão atendendo pacientes e combatendo o coronavírus na Itália. Mas um vídeo feito por ela, que começou a ser compartilhado por celebridades brasileiras e que viralizou na internet, a colocou destaque com uma mensagem para todos aqui no Brasil.

"Depois de um dia infinito, eu vim aqui lembrar para vocês quem sou eu. Eu sou a Claudia, filha da Fiinha, que nós somos de Goianápolis, mas moro agora na Itália há muitos anos, há quase 21 anos. Sou enfermeira, me formei aqui e aqui virou a minha segunda casa, porém meu coração será sempre goianapolino. Queria avisar uma coisa a vocês.

Tudo que vocês estão vendo na televisão, ouvindo falar, eu estou vivendo na minha pele. Podem acreditar que é pior do que vocês estão imaginando. E a única forma de evitar um desastre aí é prevenindo. Não deixando acontecer como aconteceu aqui (na Itália)", relata a enfermeira com um semblante de cansaço.

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A enfermeira goiana Claudia de Morais é mais uma no grande número de profissionais de saúde que estão atendendo pacientes e combatendo o coronavírus na Itália. Mas um vídeo feito por ela, que começou a ser compartilhado por celebridades brasileiras e que viralizou na internet, a colocou destaque com uma mensagem para todos aqui no Brasil. "Depois de um dia infinito, eu vim aqui lembrar para vocês quem sou eu. Eu sou a Claudia, filha da Fiinha, que nós somos de Goianápolis, mas moro agora na Itália há muitos anos, há quase 21 anos. Sou enfermeira, me formei aqui e aqui virou a minha segunda casa, porém meu coração será sempre goianapolino. Queria avisar uma coisa a vocês. Tudo que vocês estão vendo na televisão, ouvindo falar, eu estou vivendo na minha pele. Podem acreditar que é pior do que vocês estão imaginando. E a única forma de evitar um desastre aí é prevenindo. Não deixando acontecer como aconteceu aqui (na Itália)", relata a enfermeira com um semblante de cansaço. Há um mês, a Itália registrava a primeira morte por coronavírus. Sexta-feira, 21 de fevereiro, Adriano Trevisan morreu em um hospital perto de Pádua (norte do país), a primeira morte por coronavírus na Europa. Hoje 4.032 mortes depois, a Itália de um mês atrás pertence ao passado.

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Há um mês, a Itália registrava a primeira morte por coronavírus. Sexta-feira, 21 de fevereiro, Adriano Trevisan morreu em um hospital perto de Pádua (norte do país), a primeira morte por coronavírus na Europa. Hoje 4.032 mortes depois, a Itália de um mês atrás pertence ao passado.

"Gente, este vírus é muito triste. É muito ruim. É uma gripe como as outras, porém mais da metade das pessoas adoecem. Dessa metade, outra metade precisa de terapia intensiva. Só para vocês terem ideia, aqui no hospital onde trabalho tem 170 pessoas internadas com pneumonia gravíssima. Tem 28 na terapia intensiva. Só aqui no norte da Itália, em 15 dias, abriram 400 lugares em terapia intensiva. Tem mais de 1100 pacientes na terapia intensiva. E quem vai para a terapia intensiva tem muitas chances de não morrer. Só não tem lugar para todo mundo. Então, quando vocês ouvirem falar que são os velhos que morrem, não é verdade. Os velhos não precisam de morrer. Eles estão morrendo como heróis. Estão deixando lugar para os mais novos tratarem. É muito triste", conta Claudia.

Os italianos acompanham os balanços diários cada vez mais duros, superando na sexta-feira (20) a marca de 600 mortos em 24 horas. Desde segunda-feira (9), o governo italiano anunciou medidas drásticas para a contenção do coronavírus, ao ampliar para todo o país a quarentena que antes se restringia às regiões do norte. Já na terça-feira (10), ninguém pode sair de casa sem justificativa médica ou familiar. Escolas e universidades vão permanecer fechadas até o dia 3 de abril.

As igrejas estão fechadas, filas se formam nas entradas dos supermercados, onde se entra de pouco em pouco, os velórios se resumem a uma bênção na maior privacidade. A polícia agora realiza 200 mil controles todos os dias.

As medidas de contenção, inicialmente tomadas até 3 de abril, serão estendidas. E são apoiadas por quase todos os cidadãos, de acordo com uma pesquisa publicada na quinta-feira 19 pelo La Repubblica. Quem descumprir as regras, está sujeito a três meses de prisão e multa de 206 euros.

A enfermeira reforça a necessidade de distanciamento social neste momento e relembra que o Brasil não está preparado para enfrentar um surto como o que acontece na Itália. "Eu nunca pensei em passar por isso na minha vida. Vocês me conhecem. Quem não me conhece, sempre tem alguém aí que me conhece, o que eu estou falando é a verdade. A única forma é a prevenção. E a prevenção com distanciamento social. Vocês estão na primeira fase e agora precisam se isolar, mas até em família. Significa não ficar pegando um no outro, beijando, comendo perto. Precisa de ter esse distanciamento, essa higiene da casa, das mãos. E sair o mínimo possível. Se não, aí no Brasil será um desastre. O sistema sanitário não consegue acolher todos os pacientes."

 

"Eu fico em casa" é o novo slogan dos italianos que, desde 10 de março, se colocam na varanda ou na janela para cantar ou aplaudir os profissionais da saúde. Reforçando as suas raízes goianas, Claudia termina o vídeo fazendo um apelo para todos os amigos e brasileiros. "Eu quero pedir a vocês em nome da minha amizade, quem for meu amigo,
por favor se cuidem. Estejam dentro de casa. Cuidem de vocês, dos velhinhos de vocês, das pessoas frágeis. Para me esperar, que no ano que vem, depois que isso tudo passar, quero ir aí e fazer um churrasco enorme e convidar todos os meus amigos, e quem não é meu amigo, para contar tudo isso que estou vivendo. E quero falar para vocês serem orgulhosos, pois tem um goianapolino aqui combatendo nessa guerra. Sou muito orgulhosa da minhas raízes. Um abraço e vamos todos com Deus. Vocês aí e eu aqui. E muito obrigada pela atenção."