A metáfora da guerra para tratar da pandemia virou um clichê. Quem já não ouviu por aí que estamos na maior batalha da nossa geração? Isso indica que a visão dominante contrasta com a percepção da historiadora Lilia Schwarcz, autora de Brasil: Uma Biografia.

O linguajar bélico é um território essencialmente masculino. E, se algo de bom vai emergir da pandemia, é a eficácia da resposta feminina aos desafios que surgirão.

Porque ao recorrer aos antigos modelos, homens têm alimentado o autoritarismo em países menos afeitos a democracia. Não à toda que nações lideradas por mulheres se posicionam de forma mais racional e solidária diante da ameaça do novo coronavírus.

Mas, como toda conquista feminina, isso não vai se dar ao natural. A humanidade não é boa aluna. Não aprende com a história. Pelo contrário, tem notável capacidade para esquecer e negar aquilo que viveu.

Professora da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e da Universidade de São Paulo (USP), Lilia reservou um tempo para conversar com os goianos sobre o horizonte possível depois da paralisia forçada. Acompanhe nesse quinto episódio do Coronavírus Sem Mistério, projeto temporário do jornal O Popular, com condução das editoras Silvana Bittencourt e Gabriela Lima.