O capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto, subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), que agrediu, nas manifestações da greve geral de sexta-feira, o estudante universitário Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, está fora do policiamento das ruas por determinação do comandante da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), coronel Divino Alves. Foi o coronel quem também decidiu pela abertura do Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as ações do capitão Sampaio, cujo um golpe de cassetete causou traumatismo craniano em Mateus.

Segundo Alves, o IPM tem um prazo padrão para ser finalizado de 30 dias podendo até ser prorrogado, mas que a intenção é que o inquérito seja concluído em um menor tempo. Quem apura o IPM é um oficial designado pelo comandante da corporação. Após isso, o funcionamento é semelhante à Justiça comum, remetendo a conclusão à Justiça Militar. O comandante explica que a simples abertura do IPM não tiraria o militar das ruas, o que deveria ocorrer com o posicionamento do oficial designado para a apuração.

No entanto, no caso específico do capitão Sampaio, Alves determinou pessoalmente que ele não fosse mais designado para o policiamento ostensivo. Sobre o militar, o comandante afirma que não constava nada contrário a ele em seu histórico na corporação, onde já esteve lotado também no Batalhão de Trânsito. Ao contrário, o Estado até mesmo já concedeu duas honrarias militares a Sampaio. A primeira delas em julho do ano passado, com a Medalha do Mérito Policial Militar, e a última foi a maior honraria, a Medalha da Ordem do Mérito Tiradentes, no grau de comendador.

No seu Facebook pessoal, o secretário da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), Ricardo Balestreri, falou sobre a agressão ao estudante ao comentar críticas que teria sofrido pela divulgação de notas oficiais em que condena a ação do policial. Balestreri, no texto, afirma que, apesar da polícia ter o direito e o dever de reprimir atos delinquenciais, a intervenção deve ser feita com técnica, sem o objetivo de ferir as pessoas, “mas imobilizá-las e conduzi-las a autoridade encarregada do processo de responsabilização”.

O secretário admite que as técnicas de imobilização empregadas podem resultar em “ferimentos superficiais e traumatismos de pequena monta, às vezes inevitáveis”, mas é diferente de ações que geram traumatismos profundos e ferimentos com potencial mortal, conforme ocorre com Mateus, de forma que o policial tem conhecimento para não atingir a cabeça ou os genitais. No entanto, Balestreri reforça que nem sempre os policiais recebem boa capacitação ou não possuem equipamentos não letais necessários e que ele luta, pelo cargo que ocupa, para melhorar essas questões na SSPAP.