Indignados com a falta de informações sobre a situação da pandemia do novo coronavírus dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, familiares de presos anunciam para este domingo (14), a partir das 9 horas, uma manifestação diante do local. Em mensagens que circulam pelas redes sociais, eles lembram que as visitas estão suspensas há quase quatro meses e que há informações, ainda não confirmadas, de que pelo menos 600 custodiados estariam infectados. Nas chamadas para a manifestação, há o pedido para que todos usem máscaras e álcool em gel. “Queremos explicações. Estão pegando os presos e levando para os hospitais? Ou estão deixando alastrar? Tem máscara e álcool em gel para todos?”, questiona um parente na mensagem de convocação. Essa mesma pessoa ressalta que “não é porque foram presos que deixaram de ser humanos”, explicando que eles têm famílias, esposas, mães e filhos. “Queremos ajuda. Queremos respostas.” Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que a contaminação pelo novo coronavírus aumentou em 800% entre maio e junho. Por causa disso o órgão decidiu renovar por mais três meses a recomendação para que magistrados considerem a soltura de presos, com substituição de pena, por causa da pandemia. Desde março, 32.530 presos deixaram o sistema penitenciário em 19 Estados por causa da pandemia. Em outra mensagem que circula nas redes sociais, um parente de preso do complexo de Aparecida comenta que os pedidos de soltura para quem não cometeu crimes hediondos estão sendo negados sistematicamente. “Não estão dando atenção adequada. Se tivessem, não teria casos lá”, diz essa pessoa. Pelos relatos, cerca de 600 presos estariam contaminados. De acordo com o CNJ, no dia 1º de maio existiam 245 presos com Covid-19 e na sexta-feira (12) o número de casos confirmados saltou para 2.212. O número de mortos foi de 14 para 53.TestagemNa segunda-feira (8) a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) iniciou a triagem e testagem rápida para Covid-19 na população carcerária da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), localizada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. A ação é do Comitê de Gerenciamento de Crise do órgão no Enfrentamento ao Coronavírus, por meio da Gerência de Assistência Biopsicossocial (Geab) da instituição. Gerente da Geab, Sandro Souza e Silva informou nesta sexta-feira que antes do início da testagem em massa de presos da POG, oito deles foram positivados para Covid-19, sete sem sintomas. Segundo ele, todos foram isolados. Um custodiado recebeu tratamento no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) e já teria sido curado. “Se constatados novos casos de presos diagnosticados com Covid-19, os custodiados infectados serão separados da população carcerária geral e acompanhados pela Gerência, como determinam os protocolos da DGAP. Até sexta-feira (12), 165 testes tinham sido aplicados, mas o órgão não informou o resultado. Os testes rápidos, ofertados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), são feitos na POG após a verificação da temperatura, pressão arterial e de algum possível sintoma de Covid-19. O mesmo protocolo será seguido nas demais unidades do Complexo Prisional e nos estabelecimentos penais do interior. A mulher de um preso disse ao POPULAR que detentos estão enviando cartas aos familiares falando dos casos positivos dentro do Complexo Prisional. “Isso não é brincadeira. Queremos alguma solução. Há mais de três meses que não podemos fazer visitas.” Segundo ela, quem levou o vírus para o presídio foram os agentes. A DGAP informou que os servidores do órgão também estão sendo testados como medida preventiva.