O governador Ronaldo Caiado (DEM) se reuniu, na tarde desta quinta-feira (30), pela primeira vez com o novo ministro da Saúde, Nelson Teich. Por meio de videoconferência, o governador de Goiás apresentou a proposta que os Estados com menor número de casos da doença causada pelo novo coronavírus (Covid-19) recebam pacientes de outras unidades da federação. Para isso, ele defende o uso de aviões da FAB para o transporte dos infectados.

Após a audiência, Caiado gravou vídeos para detalhar os temas tratados no encontro. O democrata voltou a falar que ficou impactado com uma conversa que teve com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PCS). “Eu acho que nessa hora, nada mais justo do que o Ministério da Saúde poder orientar e também coordenar um processo de que todos nós possamos fazer parte de um Brasil único, no sentido de poder levar a esperança, a perspectiva de vida para essas pessoas. Nós não podemos pensar que só Goiás vai bem. Nós temos de pensar se o Brasil vai bem.”

Sobre possíveis questionamentos em relação aos outros Estados que teriam “deixado de fazer o dever de casa”, Caiado contemporizou em tom bastante político. “Deixa eu lhes dizer uma coisa, não tem argumento nenhum que possa ser mais importante do que salvar vidas. Então, vamos nessa hora estender as mãos, vamos ser solidários, vamos buscar as pessoas que estão necessitando. Se nós temos aqui leitos em excesso, ou de sobra, vamos poder ofertar aos brasileiros que estão noutros lugares e não conseguem.”

O governador fala isso no momento em que Goiás está em uma curva ascendente de casos, com recorde de confirmações em 24 horas, e com o número de leitos parcialmente restritos. Até a tarde desta quinta-feira, a taxa de ocupação dos leitos de UTI disponíveis para o enfrentamento da Covid-19 em unidades públicas era de 64%. Na última segunda-feira (27), este índice chegou a 73%.

Na gravação, Caiado também diz ter apresentado ao ministro as necessidades de Goiás, principalmente a demanda de ter uma contrapartida em leitos de UTI habilitados no Ministério da Saúde. “Nós temos de arcar com a necessidade de verba diária, para ter equipe médica e estrutura. Mas, para isso, nós precisamos receber do ministério aquele valor do leito que foi habilitado.”

Os leitos de UTI habilitados pelo Ministério da Saúde recebem verba federal para o custeio. Nesta semana, o Estado teve 139 novas habilitações, com previsão de receber cerca de R$ 20 milhões.

A reunião desta quinta-feira contou com a participação de governadores e secretários de Saúde do Centro-Oeste. Titular da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), Ismael Alexandrino também participou da audiência. Para ele, a reunião teve importância do ponto de vista de aproximar as autoridades envolvidas. Segundo o secretário, foi unânime a queixa dos gestores em relação a equipamentos. Alexandrino disse que Nelson Teich elogiou a gestão de Goiás, mas deixou claro que vai priorizar os Estados que estão com mais dificuldade, como Amazonas, Pará, Ceará e São Paulo.

Cautela

Sobre a vinda de pacientes de outros Estados para ocupar UTIs em hospitais de Goiás, o secretário de Saúde diz que “o momento atual é de ponderação”. A preocupação da SES, segundo ele, é garantir os leitos atuais para os goianos. “Penso que não é o momento adequado ainda. A próxima semana teremos crescimento significativo do número de casos, e com isso poderemos ter necessidade de leitos para internação de pacientes de Goiás”, afirmou Alexandrino.