Conhecido por levar milhares de fiéis as suas celebrações, o padre Luiz Augusto Ferreira, responsável pela Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia, está no quadro de servidores ativos da Assembleia Legislativa. Ele recebe pelo cargo de analista legislativo R$ 11,8 mil de salário bruto. De acordo com servidores da Assembleia, padre Luiz Augusto não cumpre expediente na Casa há pelo menos 20 anos.

A Diretoria-Geral (DG) informou que Luiz Augusto está lotado na Diretoria Parlamentar e que usufrui de licença-prêmio até 4 de maio. Não há informações sobre o histórico do servidor, segundo a DG. O presidente da Assembleia, Hélio de Sousa (DEM), através de sua assessoria, informou que a sua gestão não vai responder pela administração anterior.

Padre Luiz Augusto não esconde sua situação de funcionário público que não cumpre expediente, como seus colegas. Ele argumenta que está de licença desde 1995, quando foi ordenado padre. “A exceção foi 2012, ano em que trabalhei no gabinete do ex-presidente Jardel Sebba (PSDB)”. Jardel, por sua vez, não soube dizer quanto tempo Luiz Augusto ficou à disposição da presidência, nem a função que exerceu no período. “Lembro que ele se apresentou e eu deleguei uma missão. Mas você há de convir que faz muito tempo”, esquivou-se. O regimento interno não permite que um servidor fique 20 anos licenciado. A legislação da Casa prevê, no máximo, quatro anos de licença, prorrogáveis por mais quatro anos.

Luiz Augusto garante que manteve o vínculo com o Legislativo apenas para que ele e seus cinco dependentes usufruam do Ipasgo (plano de saúde estadual). Segundo ele, o valor da remuneração está integral em uma conta bancária e seu plano é utilizá-lo para a construção de uma chácara para dependentes químicos. Constrangido, o padre assegura ter tentado pelo menos oito vezes pedir demissão, mas que em nenhuma delas foi atendido. “Conversei com pessoas responsáveis pela direção da Casa”, revela, sem citar nomes, “e todos disseram que meu trabalho é especial e que diz respeito ao próprio Estado”.

Nota da Assembleia

A Diretoria Geral da Assembleia divulgou a seguinte nota: “Ao longo de sua carreira no Parlamento, Luiz Augusto Ferreira da Silva recebeu convites de deputados para trabalhar junto aos gabinetes. A legislação interna permite que cada gabinete possa requerer um funcionário do quadro efetivo para trabalhar próximo ao deputado. Assim, ele prestou relevantes serviços sociais ao longo dos anos até ser lotado na Diretoria Parlamentar durante o segundo semestre de 2014.”