O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, fez uma convite nesta quinta-feira (26) às pessoas que criticam as medidas de isolamento adotados pelo Estado. "Todos aqueles que estão achando que isso aqui é uma gripezinha, nós estamos precisando de voluntários. Que eles venham para cá como voluntários que nós vamos treiná-los", afirmou. 

Segundo o governador, isso ajudaria os "palpiteiros que ficam de longe" a conhecerem a realidade dos pacientes e de seus familiares. "Em uma semana vamos prepará-los para locomover paciente, higienizar paciente e auxiliar as pessoas aqui."

A declaração foi dada durante a abertura do Hospital de Campanha (HCamp) para enfrentamento do coronavírus em Goiás, nesta manhã. Durante o discurso, Caiado expressou solidariedade à família da primeira paciente morta por Covid-19 no Estado, uma mulher de 66 anos, moradora de Luziânia. Também pediu aos moradores do Entorno do Distrito Federal que deixem de ir a Brasília.

Paranoia
O governador voltou a reafirmar a necessidade do isolamento social. "Agora de repente virou uma paranoia total, porque agora todo mundo vai quebrar, que vai ser o desemprego total. Gente, em todo lugar que passou o coronavírus teve o desemprego, teve óbitos e teve empresas quebradas. O que nós estamos fazendo em Goiás é tentando minimizar", explicou.

Caiado criticou os que utilizam argumentos econômicos para pedir a volta das pessoas ao trabalho, e se referiu "aquele pessoal ganancioso que acha que tudo é dinheiro e que precisa liberar tudo". O governador mandou um recado: "Vocês podem ficar tranquilos que nós em Goiás estamos sabendo fazer com as coisas aconteçam dentro de regras científicas e técnicas, de critérios que nós estamos analisando hoje com o que deu certo no mundo".

O governador diz que o Estado saiu na frente ao decretar as medidas de isolamento. Também afirmou que o prazo para o fim da quarentena de 15 dias, que se encerra no dia 4 de abril, não é um dia definitivo. Disse ainda que a volta das atividades serão avaliadas de forma gradativa. "Isso vai causar lógico complicações econômicas, lógico, de empregos. Mas a responsabilidade nossa é com vidas. Essa eu não abro mão, como médico que sou."

Gripezinha
Os pedidos de volta à normalidade, por parte da população e de empresários, ganharam força na internet após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro. O mandatário do País criticou os governadores que adotaram medidas de isolamento e chamou a Covid-19 de "gripezinha". 

Na manhã de quarta-feira (25), Caiado, que até então era um dos pricipais aliados políticos de Bolsonaro, convocou uma coletiva para reforçar que os decretos estaduais, que enumeram uma série de restrições, estavam mantidos em Goiás e anunciar o rompimento com o presidente.