Levantamento feito pelo POPULAR mostra que 27% dos 40 primeiros casos confirmados de novo coronavírus em Goiás precisaram de internação, seja por algum momento do tratamento seja de forma permanente. Desde o registro dos três primeiros casos no Estado, no dia 12 de março, 11 pessoas já foram consideradas curadas.

Os dados apurados pela reportagem junto às secretarias municipais de saúde das cidades onde houve casos registrados mostram também um equilíbrio na distribuição por faixa etária, inclusive no número de internações. 

Quando se divide os pacientes infectados por três grupos de idade, a diferença entre eles é mínima, indo de 12 (entre 40 e 59 anos) a 13 (acima de 60). Já casos graves se distribuem também entre adultos e idosos, com leve concentração acima dos 60 anos. Ninguém com menos de 29 anos (5 casos) ou com mais de 70 (2 casos) precisou ser internado.

Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que ainda é muito cedo para que o quantitativo em Goiás reflita a realidade do impacto do coronavírus em Goiás, principalmente por ser ainda um número considerado pequeno para se fazer este tipo de análise.

As secretarias municipais não informam se os pacientes infectados pelo coronavírus se já enfrentavam ou não algum problema de saúde quando contraíram a doença. Os idosos e pessoas com comorbidades foram os grupos de risco da doença, que comumente costumam evoluir para casos mais graves com necessidades de internação.

A justificativa para não repassar os dados sobre doenças pré-existentes dos pacientes é que essas informações fazem parte da ficha médica e não podem ser divulgados sem autorização. O dado é importante por ajuda a identificar as pessoas com menos de 60 anos que se encaixam em um grupo de risco.

É o caso, por exemplo, do diretor de articulação política da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Joel Sant’Anna Braga Filho, que tem 57 anos e é asmático e bronquiolítico. Ele ficou 12 dias internado no Hospital do Coração Anis Hassi. Destes, cinco foram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Joel, que contraiu a doença depois de voltar de uma viagem para Portugal e ter passado por São Paulo, começou o tratamento antes mesmo do diagnóstico da doença, quando foi internado no dia 14 de março, depois de uma tomografia mostrar que estava com pneumonia. Atualmente, ele se recupera de uma pneumonia leve em isolamento domiciliar com um tratamento que deve durar mais nove dias.

O médico infectologista Boaventura Braz explica que é necessário um número maior de pacientes com coronavírus para se ter um panorama mais próximo de como a doença vai atingir os goianos.

“O que vemos na China foi um avanço gradual. As pessoas eram internada e depois iam para a UTI. Aqui tivemos casos que de pessoas que foram direto para a UTI, por exemplo. Então, precisamos de um número maior e mais consistente para podermos avaliar como está essa questão no Estado”, explica Boaventura.

Subnotificações

As subnotificações dos casos do novo coronavírus (Covid-19) têm preocupado os especialistas em Goiás. “O Ministério da Saúde recomendou a coleta do exame apenas para os casos internado. Isso gera a subnotificação”, afirma a médica infectologista Luciana Barreto. Segundo ela, ter um número de subnotificações baixos é importante pois faz com que a doença fique mais controlada. “A subnotificação deixa de fora do cálculo do número total de casos a grande maioria (casos assintomáticos, sintomático leves ou moderados) o que aumenta a taxa de letalidade da doença (o denominador fica menor do que é realmente é). Além de não mostrar a real velocidade da transmissão.”

O médico infectologista Boaventura Braz esclarece que a falta de exames e consequentemente o aumento das subnotificações aumenta os casos de transmissão comunitária. Em Goiás, já são quatro os casos de pessoas que não estiveram em locais com transmissão sustentada, nem contato com pessoas infectadas ou casos suspeitos. “É uma tendência totalmente condizente com o avanço da doença. Um mês após os primeiros casos serem registrados, temos esses casos de transmissão comunitária”, pontua Boaventura Braz. Segundo ele, isso muda toda a rotina das pessoas. “Muda o dia a dia. Se antes era doença de rico, não é mais. Isso acabou. Agora ele já está circulando”, finaliza o infectologista.

Assintomática

Apenas uma paciente com caso confirmado de coronavírus em Goiás não apresentou nenhum sintoma. A médica Leila de Sá Rodrigues da Cunha, de 69 anos, foi o primeiro registro da doença em Anápolis. Leila, que possivelmente foi infectada durante um cruzeiro na Itália, afirmou anteriormente ao POPULAR que nunca teve nenhum sintoma da doença. “Fiquei assintomática o tempo todo”, frizou ela.

A médica, que recebeu alta nesta sexta-feira (27), é uma das 11 pessoas que já foram curadas. Neste mesmo dia, recebeu alta também o rapaz de 28 anos que mora nos Estados Unidos, mas está em Catalão e que se infectou na Europa. A mulher de 52 anos que mora na Espanha e está em Jataí também recebeu alta nesta semana.

Também receberam alta os três primeiros casos confirmados de Rio Verde. São mulheres de 62, 60 e 44 anos. Em Goiânia, os cinco primeiros casos confirmados da doença já foram curados. Além disso, todos os órgãos municipais de Saúde contatados afirmaram que tem monitorado os contatos próximos destes pacientes infectados com coronavírus. 

Os casos com transmissão local estão divididos em Anápolis e Rio Verde. O de Anápolis, por exemplo, é uma pessoa de 65 anos e entrou em contato com uma pessoa infectada de outro Estado. 

Pesquisa

A Secretaria de Planejamento, Avaliação e Informações Institucionais (Secplan) da Universidade Federal de Goiás (UFG) fez um estudo que detectou que mediu a taxa de crescimento dos casos do novo coronavírus em Goiás (Covid-19). 

De acordo com o documentelaborado pela universidade, enquanto em São Paulo ela chega a 28,3% ao dia, em Goiás ela se mantem em 22%. O estudo projetou ainda que, mantendo essa tendência, o 50º caso deve ocorrer dia 31 deste mês.

O titular da Secplan, Vicente Ferreira, afirma que com base dos dados obtidos pelo POPULAR pode ser que o 50º caso seja confirmado antes até mesmo do último dia do mês. “Está crescendo mais velozmente do que projetamos”, pontua. 

Segundo ele, uma taxa de crescimento ao dia menor do que a de São Paulo é um bom sinal. “Isso mostra que as medidas como quarentena têm sido eficazes. É claro que o estudo foi feito com poucos casos e não podemos afirmar em cima disso que temos o controle do problema”, esclarece.

Porém, Ferreira afirma que é preciso lembrar da existência das subnotificações. “Não conseguimos afirmar ainda que as medidas tomadas têm sido suficientes, porque não sabemos se o número que temos é o número real de casos”, esclarece.

O secretário explica que o intuito do estudo é fornecer material para as autoridades públicas trabalharem. “Queremos fazer esse levantamento novamente mais para frente com mais informações. Queremos que com base nisso sejam formuladas boas políticas para as pastas da Saúde e da Economia também. Tem que haver um equilíbrio”, finaliza Ferreira.

 

Subnotificações preocupam

As subnotificações dos casos do novo coronavírus (Covid-19) têm preocupado os especialistas em Goiás. “O Ministério da Saúde recomendou a coleta do exame apenas para os casos internado. Isso gera a subnotificação”, afirma a médica infectologista Luciana Barreto. Segundo ela, ter um número de subnotificações baixos é importante pois faz com que a doença fique mais controlada. “A subnotificação deixa de fora do cálculo do número total de casos a grande maioria (casos assintomáticos, sintomático leves ou moderados) o que aumenta a taxa de letalidade da doença (o denominador fica menor do que é realmente é). Além de não mostrar a real velocidade da transmissão.”

O médico infectologista Boaventura Braz esclarece que a falta de exames e consequentemente o aumento das subnotificações aumenta os casos de transmissão comunitária. Em Goiás, já são quatro os casos de pessoas que não estiveram em locais com transmissão sustentada, nem contato com pessoas infectadas ou casos suspeitos. “É uma tendência totalmente condizente com o avanço da doença. Um mês após os primeiros casos serem registrados, temos esses casos de transmissão comunitária”, pontua Boaventura Braz. Segundo ele, isso muda toda a rotina das pessoas. “Muda o dia a dia. Se antes era doença de rico, não é mais. Isso acabou. Agora ele já está circulando”, finaliza o infectologista.