Uma grande área escavada na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dr. Hélio Seixo de Brito, no Setor Goiânia II, na Região Norte da capital, vai se tornar seis tanques de aeração, quatro decantadores secundários, duas elevatórias de recirculação e duas centrífugas de adensamento de lodo até meados de 2020. Esta é a estrutura do tratamento secundário de esgoto de Goiânia, que pretende ampliar a eficácia da limpeza dos efluentes para 90%. Segundo a Saneago, atualmente este patamar está entre 50% e 60%, o que foi contestado no início do ano em estudo da Polícia Civil, que verificou patamares de 39%.

A área escavada é a primeira etapa da obra, que foi retomada em julho deste ano, após uma paralisação de dois anos. De acordo com a Saneago, “até o momento, já foi concluído o processo de escavação para instalação dos tanques de aeração. Está sendo providenciado, agora, o início da construção da fundação da parte estrutural da obra”. Na tarde desta sexta-feira (30), caminhões e uma retroescavadeira retiravam parte da terra escavada na área. “O cronograma total do empreendimento, que é de 24 meses, tem sido devidamente cumprido, de forma que ainda resta cerca de um ano e meio de trabalhos”, informa a estatal.

A falta do tratamento secundário e terciário do esgoto em Goiânia gerou uma ação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) neste ano para que fosse suspensa a cobrança da taxa mensal pelo serviço paga pelos usuários. O pedido chegou a ser deferido em liminar no mês de setembro pela Justiça, mas já em outubro a determinação judicial foi cassada. A Saneago não chegou a deixar de cobrar a taxa. Na época, afirmava que não tinha culpa da falta de execução da obra, já que a mesma foi paralisada em decisão da União, quando a Polícia Federal desencadeou a Operação Decantação, em 2016, que investigou o mau uso da companhia em campanhas eleitorais.

Ao todo, a ampliação da ETE tem valor estimado de R$ 98 milhões, custeados pelo Orçamento Geral da União (OGU), sem qualquer contrapartida do Estado, e está sendo realizada pela construtora JC Gontijo. Além da ampliação, há também a previsão de redes coletoras de esgoto e ligações no Jardim Petrópolis, o que se estima completar o atendimento da rede de esgoto na capital. Para se ter uma ideia, em todo o Estado, o índice de atendimento chegou no último trimestre a 59,1%.

 

Saneago confirma acordo por chorume

A Saneago, empresa de economia mista cujo sócio majoritário é o Estado de Goiás, confirma que há um acordo com a Prefeitura de Goiânia para que o chorume procedente do Aterro Sanitário da capital, na Região Noroeste, seja levado até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dr. Hélio Seixo de Brito. No entanto, a empresa informa que o acordo com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que é a responsável pelo aterro da capital, ocorre “em caráter solidário ao meio ambiente, para que não haja danos ao curso hídrico”.

“Esse recebimento ocorre somente em período chuvoso e tem caráter temporário, até que a Prefeitura de Goiânia proceda com as adequações necessárias no aterro sanitário para tratamento ideal do chorume”, informa a empresa em nota. Não há previsão da Comurg para que o tratamento do chorume, que é o resíduo líquido proveniente do lixo, dentro do aterro seja feito de forma completa. 

Na edição desta sexta-feira, O POPULAR publicou matéria sobre o tratamento do chorume feito pela Comurg e seu transporte até a ETE. Na ocasião, a companhia informou, por outro lado, que estão sendo feitas melhorias no tratamento interno “visando aumentar a eficiência do tratamento já realizado”. “Também estão programados para o mês de dezembro teste com uma estação compacta de tratamento de chorume através de tratamento eletrolítico”, complementou.

A Saneago reforçou, ainda, que o chorume já recebe “prévio tratamento, realizado por meio de uma Estação de Tratamento de Chorume e Lixiviados, localizada na unidade geradora do resíduo” por parte da Comurg. No Aterro, há duas lagoas anaeróbias em que são feitos tratamentos biológicos e mais outra que ajuda no tratamento, em que a substância tem índice de limpeza entre 50% e 60%. “O efluente é enviado para a ETE por meio da rede de esgoto e passa por novo tratamento na ETE antes de ser encaminhado ao curso hídrico.”