Em ofício encaminhado para autoridades estaduais e federais, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira coloca o novo prédio do Hospital das Clínicas (HC), no Setor Universitário, em Goiânia, que tem espaço para 600 leitos, à disposição para atendimento exclusivo a doentes que sejam infectados pelo novo coronavírus (Covid-19). Para isso ocorrer ainda são necessárias diversas medidas, entre elas a destinação de cerca de R$ 37 milhões para compra de equipamentos e mobília para as áreas clínicas e de UTIs. Caso seja acatada a medida, o reitor entende que a ideia será um diferencial para o Estado no combate à doença.

Paralelo a isso, a universidade tem dezenas de projetos sendo discutidos e tantos outros já encaminhados para ajudar no diagnóstico rápido, na facilitação ao acesso de equipamentos de segurança por parte de profissionais de saúde e até na otimização para conserto e desenvolvimento de novos respiradores, por exemplo. Mas a ideia inicial de oferecer a unidade, que já está pronta, para este tipo exclusivo de atendimento foi bem recebida. Na última sexta-feira (20) uma equipe do Ministério da Saúde (MS) visitou o hospital e saiu impressionada com a estrutura. O prédio possui 20 andares, com capacidade atual para 78 leitos de UTI e 522 de internação.

O Hospital das Clínicas demorou cerca de 20 anos para ser concluído e foi construído, praticamente, com 90% de recursos provenientes de emendas parlamentares. Por este motivo, mais uma vez, a direção da universidade está buscando os representantes goianos no Congresso Nacional para conseguir parte do dinheiro para equipar a unidade. “Estávamos até poucos dias nos organizando para nos mudarmos do atual prédio do HC para o novo, foi quando tudo isso (pandemia) aconteceu e decidimos oferecer a unidade. Deixaríamos a transferência do HC para outra oportunidade e esta unidade ficaria exclusiva para esta situação”, destaca o reitor que encaminhou ofício para a deputada Flávia Morais (PDT), coordenadora da bancada federal de parlamentares do Estado de Goiás.

Flávia Morais informou que a bancada goiana está ciente deste ofício e que há sensibilidade dos políticos, independente de partido, para esta questão. “Estamos aguardando o decreto que deve ser publicado nesta segunda-feira que vai permitir o remanejamento das emendas parlamentares. A bancada está sensível à esta questão e entendemos que será possível atender a este pedido, já que mais de 90% do hospital foi construído com esta colaboração. Com certeza será uma retaguarda importante para o Estado ter esta unidade funcionando desta maneira, em caráter exclusivo para este tipo de atendimento”, disse.

O reitor da UFG também encaminhou o ofício para o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); para o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB); para os secretários de saúde de Goiás e de Goiânia, Ismael Alexandrino e Fátima Mrue, respectivamente, além do presidente da Diretoria Executiva da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Oswaldo de Jesus Ferreira e para o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A negociação é para que, além dos equipamentos, haja contratação de pessoal, que seria coordenado pelos atuais gestores do HC e da Faculdade de Medicina da UFG.

Estrutura

Para colocar a nova unidade do HC em funcionamento seria necessária a contratação ou mobilização de 1.072 enfermeiros, 1.360 técnicos em enfermagem, além de 60 médicos. Edward Madureira explica que, caso a opção seja pela contratação dos profissionais, esta poderá ser feita em caráter emergencial e temporário pela EBSERH ou pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da UFG (FundaHC). O diretor do Hospital das Clínicas, José Garcia entende que é possível abrir a unidade em caráter exclusivo para este tipo de atendimento. “Depende do fator financeiro. Nossos profissionais podem continuar na gestão, com suporte das faculdades de Medicina e Enfermagem. É um grande passo para atuarmos contra esta doença”, diz o diretor.

Na divisão dos custos dentro dos R$ 37 milhões previstos, cerca de R$ 2,8 milhões seriam destinados à compra de equipamentos de infraestrutura e mobiliário, como por exemplo bebedouros, cadeiras de roda, cadeiras para banho e refrigeradores para vacinas. Outros R$ 4,5 milhões precisam ser encaminhados para compra de equipamentos para UTIs adultas, mais R$ 2,4 milhões para UTIs pediátricas e mais R$ 3,1 milhões para UTIs neonatais. Para estes leitos é necessário que se adquira equipamentos mais complexos e caros, como os ventiladores pulmonares, por exemplo.

Os outros R$ 24 milhões que completam os R$ 37 milhões necessários para colocar a unidade para funcionar em caráter pleno serão para preparação dos outros 522 leitos de enfermaria que a unidade tem capacidade de atender. “Estas enfermarias têm capacidade de receber dois pacientes por vez em cada quarto, é como acontece nos hospitais particulares. Teríamos mais 266 ventiladores pulmonares à disposição neste ambiente, por exemplo”, explica .

 

Pesquisas para testes rápidos avançam

Além da disposição do novo prédio do Hospital das Clínicas (HC) para atendimento exclusivo de pacientes da Covid-19, a Universidade Federal de Goiás (UFG) tem outras iniciativas que serão importantes para o combate à doença no Estado. Uma delas é para o diagnóstico rápido e com custo baixo. Reitor da instituição, Edward Madureira diz que nos próximos dias poderão divulgar os resultados desta pesquisa, mas adianta que isto deve facilitar o acesso aos dados de contágio em Goiás de maneira mais ágil. Segundo Edward, docentes com expertise em diagnóstico de contaminações virais, investigarão diagnósticos precoces estão adiantados nestes estudos. 

Os laboratórios do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (PTSP) e o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) também estão à disposição, junto com a Faculdade de Farmácia, para a realização dos exames de diagnóstico da Covid-19. Além disso, os professores e estudantes da Faculdade de Artes Visuais e da Faculdade de Enfermagem estão produzindo capotes e máscaras, que são escassos nos serviços de Saúde. A ação envolve professores da FAV (desenho dos EPI) e FEN (definição do tipo de material para a confecção que atenda a regulamentação nacional). Já em andamento, a produção será destinada, em primeiro momento aos estudantes da UFG que participarão da imunização. Segundo a UFG informou, no momento, está em negociação o aumento da produção com a participação de confeccionistas da região da Rua 44, em Goiânia. 

Outra ideia que está sendo discutida é a viabilidade de produção de ventilador mecânico. Engenheiros e médicos pneumologistas estão avaliando esta possibilidade, além da ideia de manutenção dos aparelhos em desuso. Existe até um estudo para avaliar a possibilidade de desenvolver equipamentos a partir de impressoras 3D. A universidade possui 30 equipamentos como este e, mesmo que em escala individual, a produção de um equipamento seria relevante, na opinião do reitor, especialmente considerando que estes respiradores estão em falta no mercado. 

Ainda existem laboratórios que produziram o álcool em gel durante um período, mas diante da escassez dos insumos dispersantes usuais, pesquisadores do Instituto de Química estão investigando novas rotas para produção do produto. Neste momento, segundo a UFG informou, estes profissionais estão levantando as necessidades de insumos. 

Edward diz que tem sido procurado diariamente por pessoas que possuem iniciativas e estão em busca de apoio, logística ou recursos financeiros para viabilidade. “Com certeza, este momento de crise servirá para mudanças positivas nestas áreas”, acredita.