Atualizada às 14h56 de 09/04/2020

Exames laboratoriais confirmaram que a morte de Odair Moreira, de 72 anos, ocorrida na última sexta-feira (3) em Goiânia, foi causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Ele é irmão do atual prefeito de Goiandira, Odemir Moreira de Melo (PSDB). A vítima da doença residia no município, de onde foi transferida, e possuía histórico de diabetes e hipertensão. Ele chegou a dar entrada no Hospital de Campanha para Enfrentamento do Coronavírus (HCamp), na capital, mas não chegou a ser internado em uma unidade intensiva. O quadro já era grave e evoluiu para a morte muito rapidamente. 

Em cinco dias ele foi encaminhado de Goiandira para Catalão e, depois, para o HCamp, onde morreu. Apesar de morar em Goiandira, ele possuía uma segunda residência em Goiânia, onde permaneceu até pouco antes da vigência do decreto do governo estadual que declarou isolamento social como forma de reduzir o contágio pelo vírus em Goiás. Em Goiânia, ele teria realizado alguns exames de saúde pouco antes de retornar a Goiandira, no início da segunda quinzena de março.

Outro caso de contaminação pelo vírus na cidade também foi testado e o resultado foi negativo. A família da vítima acredita que o contágio possa ter ocorrido em Goiânia, já que ele não teve mais contato com outras pessoas depois que chegou à cidade para o isolamento social. Desta forma, o contágio neste caso é considerado comunitário, quando não há como rastrear como ele adquiriu o Covid-19. Equipes de vigilância epidemiológica da cidade passaram a acompanhar o caso quando Odair Moreira apresentou os primeiros sintomas. 

Em casa, ele foi orientado sobre os procedimentos a serem tomados, mas o quadro evoluiu rapidamente. Na segunda-feira (30), Odair foi levado para a Santa Casa de Catalão com quadro de insuficiência respiratória. O agravamento foi ainda mais rápido e as equipesA de saúde optaram por encaminhá-lo para o HCamp, onde chegou em estado grave e morreu. 

Ao todo, sete pessoas que tinham contato com a vítima seguem em quarentena sem qualquer sintoma, entre elas o próprio prefeito. De toda forma, eles foram orientados a aguardar a chegada dos testes rápidos para confirmação se houve infecção. Eles também foram orientados a acionar os técnicos da saúde caso haja alguma alteração no quadro de saúde de qualquer um deles. 

Antes mesmo da confirmação do caso, o comitê de enfrentamento ao avanço do coronavírus em Goiandira se reuniu para definir ações mais severas para impedir a disseminação do vírus. Foi informado para a reportagem que existe grande preocupação com a chegada de um feriado, já que neste período as pessoas não terão trabalho para executar em casa e, certamente estarão de folga. O temor dos técnicos que fazem parte do comitê é que haja aglomerações e até mesmo aumento do fluxo de pessoas em rotas de viagens.
 
O prefeito afirmou que a Polícia Militar está acompanhando os técnicos para evitar situações que possam apresentar qualquer possibilidade de contágio. “Estamos tendo todo o cuidado possível para que não tenhamos mais casos. Temos de reunir todos os esforços para evitar outras mortes. Estamos em isolamento e pedimos a todos que permaneçam em casa”, disse Odemir Moreira.

Outras mortes
A morte de Odair Moreira é a sexta registrada pelo novo coronavírus em Goiás. O dado ainda não constava na lista da Secretaria Estadual de Saúde (SES) na noite de ontem, mas exames laboratoriais realizados pelo Lacen confirmaram o caso. Os outros casos se referem à mulher de 66 anos que morava em Luziânia, um homem de 87 anos que residia em Goiânia e a técnica de enfermagem, de 38 anos, que morreu no último sábado, Adelita Ribeiro.

Completam a lista as duas mortes registradas na última segunda-feira (6) em Goiânia de dois homens de 62 e 74 anos que estavam internados, já com a infecção pelo novo coronavírus e não resistiram. O primeiro é o cunhado do ex-senador e advogado Demóstenes Torres, o engenheiro civil Arnaldo Barbosa Lima, de 62 anos. 

Desta maneira, se não houver mais morte confirmada até o novo boletim de hoje, das seis mortes em Goiás, quatro continuam sendo da capital e as outras duas do interior, sendo uma de Luziânia e outra de Goiandira. Ainda existem dez mortes sendo investigadas, sendo um em cada uma destas cidades: Araçu, Bonfinópolis, Caldas Novas, Edealina, Itapaci e Luziânia. Outras quatro mortes ainda aguardam a confirmação do município de residência das pessoas.