As pousadas e hotéis das cidades turísticas goianas, como Pirenópolis, Aruanã, Goiás, Alto Paraíso e Caldas Novas, têm recebido mais pedidos de cancelamento do que de reagendamento das reservas que já estavam confirmadas antes da necessidade de isolamento social como combate à disseminação do coronavírus (Covid-19). Desde que o decreto estadual, assinado no último dia 20, proibiu a realização de eventos, festas e quaisquer outras aglomerações, fechando comércios, bares, restaurantes e hotéis, toda a rede em Goiás ficou impedida de receber novos hóspedes.

Em Caldas Novas e Pirenópolis, por medidas das prefeituras, os turistas não podem nem mesmo entrar no perímetro urbano. Conforme os direitos do consumidor, há a escolha entre cancelar o pedido e ter ao menos parte do dinheiro de volta - embora neste caso há indicação da devolução total, por se tratar de um caso excepcional - ou adiar a reserva. De acordo com informações do setor hoteleiro, até então, a principal opção tem sido o cancelamento, embora ainda não se tenha um balanço geral sobre os casos.

O delegado da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO) em Pirenópolis, George Medeiros, explica que no município da Região Central toda a rede tem seguido rigorosamente as determinações do decreto estadual. “É uma situação crítica. Os alimentos que estavam em estoque e não perecíveis foram doados em campanhas aqui mesmo da cidade. Tivemos muitos cancelamentos, muitas remarcações, mas mais cancelamentos. Mas estamos em campanha para que os turistas não cancelem, que prefiram a remarcação”, conta ao explicar que a opção é uma garantia futura aos hotéis.

Segundo Medeiros, o município tem cerca de 450 meios de hospedagem, mas que, neste primeiro momento, ainda não foram feitas demissões, tendo os empresários optado por conceder férias coletivas aos funcionários. Ele revela também que, desde o final de semana, não há problemas na cidade quanto à aglomeração de pessoas ou turistas, até mesmo pela opção da prefeitura em impedir a entrada de quem não é residente no município. A situação é vista como preocupante em outras cidades, como Niquelândia, na Região Norte, em que o bloqueio foi feito para impedir a entrada de turistas, que vinham se aglomerando no Lago Serra da Mesa, mas que a medida foi considerada ilegal pela Justiça.

Em Aruanã, o secretário de Turismo, que também é o titular da pasta de Saúde, Paulo Valério da Silva, conta que nos primeiros dias das medidas do decreto estadual houve resistência de moradores e turistas, especialmente de pessoas que tinham familiares ou conhecidos na cidade. “Veio muita gente para a casa dos outros ou que tem casa própria aqui. Queriam pescar, mas, quando os portos foram fechados, viram que não seria possível e agora já estão respeitando mais”, diz.

Segundo Silva, as pessoas têm sido notificadas para ficar em casa e não promover aglomerações. Sobre a rede hoteleira, o secretário considera que os empresários têm acatado as medidas impostas, mesmo com um grande número de cancelamentos das reservas já confirmado.

“As pessoas não sabem até quando as medidas vão durar, quando vão poder voltar a vir, então preferem cancelar”, afirma. Para ele, o setor de turismo aguarda medidas do governo estadual para passar pela situação com alguma garantia. O presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, revela que, antes mesmo do decreto estadual ser publicado, já houve reunião do setor com o governador Ronaldo Caiado (DEM) para a realização de planos com soluções a curto, médio e longo prazos. “Estou reunindo com as pessoas do Trade Turístico para colher sugestões sobre o que fazer, mas vai depender muito de como vai ser a evolução da pandemia aqui em Goiás.”

Para Amaral, caso o Estado passe bem pela situação, com uma pandemia controlada, o setor de turismo terá uma vantagem e poderá usar esse fato até como atrativo para as pessoas, pois seria uma garantia de que os visitantes não terão problemas em Goiás. “Aqui, temos a característica do turismo de natureza, em que é possível pensar em soluções com menor aglomeração. O turismo aqui é muito forte e nossa rede é muito boa, acostumada em fazer adaptações.” Na atualização do decreto estadual, publicada ontem, o Estado voltou a permitir as hospedagens, mas apenas para funcionários que atuam nas atividades essenciais e que estão em ação.