Atualizada às 23h

O número de casos confirmados do novo coronavírus subiu de 200 para 234, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (16). Os dados mostram que nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo há transmissão comunitária ou sustentada, quando há casos de pessoas que não viajaram e não têm vínculo com caso confirmado registrado.

Nos Estados da Bahia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro há registro de transmissão local, que é um nível abaixo - quando alguém adquire o vírus sem ter viajado ao exterior, mas com contato com alguém confirmado. Ou seja, é possível fazer vínculo do caso.

O balanço representa um aumento no total de Estados com essa forma de transmissão - até domingo, eram apenas três (SP, RJ e BA). Também já há casos em todas as regiões do país. Ao todo, 15 estados e Distrito Federal têm registros.

A maior quantidade está em São Paulo, onde há 152 casos confirmados. Até domingo, eram 136. Em seguida estão: Rio de Janeiro (31), Distrito Federal (13), Santa Catarina (7), Paraná (6), Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (5), Bahia (2), Pernambuco (2), Mato Grosso do Sul (2), Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Alagoas (1), Sergipe (1) e Espírito Santo (1). Goiás ainda aparecia com apenas 3 casos neste balanço, entretanto no final da tarde o governo estadual confirmou 7 ocorrências.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de pacientes com o novo coronavírus no país pode ser maior, já que mais estados podem ainda atualizar registros no sistema.

Entre os casos confirmados, 133 são importados, ou seja, de pacientes que viajaram a outros países. Outros 80 são de transmissão local, quando há vínculo entre os casos, e 21 de transmissão comunitária, quando não houve identificação da origem da infecção –número que vêm crescendo nos últimos dias.

Inicialmente, o Ministério da Saúde chegou a confirmar que já havia registros de transmissão comunitária no Distrito Federal. A informação, porém, foi corrigida no fim da tarde pela secretaria de saúde do DF. Segundo a pasta, todos os casos na região são importados. “Fizemos ligações e todos eles vieram do exterior”, diz o secretário Osnei Okumoto.

O ministério atribuiu a informação anterior à ausência de informação completa nos registros. A média de idade dos pacientes atendidos no país é de 40 anos. Do total, 18 estão hospitalizados. Os demais estão em isolamento domiciliar. Há ainda 2.064 casos suspeitos, sob investigação.

Leitos

O Ministério da Saúde estuda impedir exportações de equipamentos usados em leitos de UTI, como respiradores, e até requisitar leitos da rede privada para atender ao SUS. A pasta avalia também reduzir tributos sobre medicamentos usados contra o novo coronavírus, além de postergar o reajuste anual de preços destes produtos.

“O Ministério da Saúde passa a trocar informações sobre uso de leitos privados (com a rede privada). Queremos saber qual a ocupação, quem tem leito ocioso, quem não tem, qual a ocupação. Se necessário, vamos requisitar leitos privados ao SUS”, disse o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo.

O secretário afirma que o governo está discutindo a redução e eliminação de impostos de alguns produtos para saúde. Gabbardo disse ainda que o governo quer receber equipamentos de UTI que a China já deixou de usar, pela diminuição dos casos. “Estamos em contato com embaixada chinesa, para colocar o Brasil como voluntário para receber equipamentos.”

Vistos para EUA

A embaixada dos Estados Unidos em Brasília anunciou nesta segunda-feira (16) que vai cancelar todas as entrevistas de visto no Brasil. A medida, que passa a valer a partir desta terça (17), inclui ainda todos os consulados no país (em Porto Alegre, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro).

O objetivo é tentar conter a disseminação de coronavírus. Tradicionalmente, centenas de pessoas vão diariamente aos consulados dos Estados Unidos para participar das entrevistas, última etapa para conseguir a autorização para entrar em território americano.

 

Pessoas sem diagnóstico disseminam a doença

Portadores do novo coronavírus que não foram diagnosticados são os maiores responsáveis pela disseminação rápida da doença, segundo um novo estudo publicado nesta segunda-feira (17), revista Science. A descoberta indica o tamanho do desafio que as autoridades sanitárias têm para conter a pandemia.

Segundo cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia, nos EUA, que assinam o trabalho, mais de 80% dos portadores do novo vírus são assintomáticos ou apresentam sintomas muito brandos e, por isso, acabam não sendo diagnosticados.

Os casos mais leves ou mesmo sem sintomas da covid-19 são até 50% menos contagiosos do que os mais graves. No entanto, como são muito mais numerosos, seriam os grandes responsáveis pela disseminação do vírus. “Dependendo de quão contagiosas são essas pessoas e da quantidade delas, uma parcela muito grande da população será exposta ao vírus”, afirmou um dos autores do estudo, Jeffrey Shaman, professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos em comunicado.

Para Shaman, essas transmissões são, atualmente, o maior desafio para conter a pandemia em todo o mundo. Por isso, as medidas de distanciamento social são tão importantes. “Se o novo coronavírus seguir o padrão do H1N1 da pandemia de influenza de 2009, ele vai se espalhar globalmente e se transformar no quinto coronavírus endêmico entre a população humana”, afirmou o pesquisador. (AE)

 

MEC libera ensino a distância

O Ministério da Educação (MEC) anunciou que vai publicar portaria autorizando as escolas a substituir aulas presenciais da educação básica pela modalidade a distância por 30 dias. A medida ainda pode ser prorrogada. A alteração foi elaborada pelo Comitê Operativo de Emergência do ministério, criado para pensar alternativas de contenção ao avanço do coronavírus em instituições de ensino. Ao menos 17 Estados já tiveram as aulas suspensas.

Atualmente, a legislação não permite aulas a distância na educação infantil e no ensino fundamental (do 1º ao 9º ano). A modalidade é permitida para até 30% da carga horária do ensino médio em cursos noturnos e 20% nos diurnos. Também é liberada em 40% da carga horária de cursos presenciais de ensino superior. Segundo nota do ministério, a liberação da modalidade para todas as etapas da educação básica tem caráter excepcional e valerá apenas enquanto durar a situação de emergência de saúde pública. A adesão das escolas será voluntária.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a medida atende mais a uma demanda das escolas e faculdades privadas do que serve como solução para a rede pública de ensino. Diretores da rede particulares vinham cobrando o MEC por um dispositivo que as deixasse mais seguras de poder descontar os dias com atividade a distância dos 200 dias letivos exigidos por lei. Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Educação (CNE) já havia emitido ofício, informando entender que juridicamente a reposição dos dias perdidos pode ser feita no próximo ano, mas que os 200 dias e as 800 horas anuais precisam ser cumpridas - o mesmo entendimento de 2009, quando aulas foram suspensas na epidemia de H1N1.

Para Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime (entidade que reúne os secretários municipais de educação), a liberação do ensino a distância para a educação básica não garante a qualidade e nem que todos os estudantes serão atendidos. “Não conhecemos metodologia, ainda mais em caráter emergencial, que garanta um ensino de qualidade para crianças nessa faixa etária que permita a substituição”, comentou.

Além da qualidade, ele também destaca que a maioria das escolas da rede pública não tem recursos para oferecer ensino a distância e, ainda que tivessem, nenhuma teria como garantir que todos os alunos podem assistir às aulas nessa modalidade de casa “Vamos deixar muitos alunos de fora porque a realidade do Brasil está muito distante de permitir isso”, disse.

Faculdades
Levantamento da Abmes (associação que reúne donos de faculdades de particulares) encontrou ao menos 17 Estados que estão com aulas paralisadas na educação básica ou superior. A instituição recomendou a suspensão das atividades e pede para que estratégias, como a modalidade a distância, sejam consideradas.(Agência Estado)