Atualizada às 14h28

O último decreto do governo de Goiás assinado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) prevê a suspensão de atividades comerciais e industriais não essenciais até o dia 4 de abril. O primeiro decreto determinou a suspensão das aulas em todo o Estado por 15 dias. Não há, entretanto, uma resposta para o que acontecerá depois deste prazo. Na manhã desta quarta-feira (25), ele afirmou, durante entrevista coletiva que “não existe uma data fixa” e que a partir desta data vai avaliar o que poderá, aos poucos ser liberado.

“Não existe uma data fixa. Coronavírus, a partir do dia 4 de abril. Entende? Nós temos que saber como é que ser o comportamento. A partir do dia 4 vamos avaliar quais são os pontos que vamos poder, aos poucos, ir liberando. Como vai ser a curva de crescimento?”, indagou. O governador comparou as medidas tomadas ao tratamento médico e disse que o trabalho será similar. 

“Às vezes a medicação foi demais, ou de menos. Agora, essa medicação vai acabar matando a economia de um país... não. Isso é um discurso completamente irresponsável. Ao curarmos pessoas e tentarmos diminuir a extensão e a gravidade de uma contaminação pelo coronavírus, estamos também entendendo a necessidade das pessoas voltarem à sua atividade”, completou. 

Isolamento vertical 

Durante pronunciamento na noite desta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro sugeriu o que foi chamado de isolamento vertical. O mesmo pedido foi feito por ele ao ministro da Saúde, para isolar apenas idosos e pessoas com doenças que se enquadram nos grupos de risco. A situação também foi alvo de críticas por parte do governo estadual e Ronaldo Caiado bem como a utilização do medicamento cloroquina

“Temos que saber calibrar as coisas. Agora vai ser vertical, cloroquina, por favor. Estamos tratando de um assunto sério. A população tem que ter norte, rumo e líderes têm que saber se pronunciar neste momento. Quando se escuta uma declaração como essa de dizer que isso é um resfriadinho, uma gripezinha? Respeito! Ninguém definiu melhor que Obama: na política, e na vida, a ignorância não é uma virtude”. 

Interior do Estado fechando barreiras

Algumas cidades do interior do Goiás fecharam as barreiras e chegaram a solicitar que, para entrar nas cidades, as pessoas apresentem comprovantes de endereço. O prefeito de Caldas Novas, por exemplo, pediu que turistas não visitassem o município. Para o governador é importante ressaltar que não há estrutura hospitalar nestas cidades. “É lógico que todas essas cidades estão preocupadas com o fluxo de pessoas que podem chegar neste momento. A maneira que se tem de proteger não é impedir o acesso. É de dizer às pessoas que não há estrutura hospitalar aqui e nem condições de recebê-los. ‘Se algum de vocês vier pra cá contaminado e até assintomáticos, podem disseminar o vírus atingindo todas as pessoas idosas do nosso município’”. 

Para ele, a barreira ocorre mais no sentido educativo e afirma ainda que este não é momento para sair, passear, fazer festas ou ir à praia. “É momento de aprofundarmos nossa responsabilidade para auxiliarmos as pessoas mais carentes, mais humildes que perderam empregos e que têm condições sociais extremamente limitadas. Ajudar, acolher o idoso, fazer a compra dele no supermercado, o remédio na drogaria. Ajudar no dia a dia para que ele não tenha que sair da sua residência. Não se pode caminhar como se estivesse no período de férias”.

Entorno do DF

Na noite desta terça-feira (24), o último boletim divulgado pelo Distrito Federal apontava 161 confirmados e mais de 3.600 suspeitos, em análise. Em Goiás, os últimos dados da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) apontam 29 casos confirmados e 1.336 em investigação. Caiado disse que o entorno é vulnerável e que não há estrutura hospitalar de saúde compatível com 1,2 milhão de pessoas da região.

“Infelizmente Brasília está passando por um momento complicado. Tivemos um aumento significativo no surto de contaminação pelo coronavírus. É uma das cidades com maior percentual proporcional de pessoas contaminadas. Eu pedi, desde sábado, que, por favor, só saiam de casa as pessoas que estão ligadas às áreas da saúde, segurança pública, alimentação, higienização continuem indo ao DF. Os outros, permaneçam em casa”.

“Estamos conseguindo manter a curva dentro daquilo que é compatível com a nossa capacidade de absorver amanhã os pacientes que venham a apresentar complicações respiratórias. Poderá se agravar? Pode. Mas estamos nos preparando para que isso não aconteça. Comunicado que faço a todo meu povo goiano. Na área da saúde, no combate ao coronavírus, as regras que prevalecerão no Estado de Goiás são as regras do meu decreto e as regras definidas pela Organização Mundial de Saúde e o corpo técnico do Ministério da Saúde.”

Ele continuou e disse que responde pelo Estado de Goiás. “Eu que respondo por 7,2 milhões de goianos, sou eu, Ronaldo Caiado. E reafirmo: meu decreto vai prevalecer em Goiás. As decisões do presidente da República em relação às questões de saúde pública, não atravessam as fronteiras de Goiás e não atingem os 7,2 milhões de goianos. Tá bem compreendido?”

Exames rápidos

Durante a entrevista coletiva, Caiado também falou da demora em resultados realizados pelo Laboratório de Saúde Publica Dr. Giovanni Cysneiros, o Lacen de Goiás, e disse que alguns kits rápidos começarão a ser utilizados em Goiás, mas que “não tem a mesma precisão do PCR-RT que é feito hoje pelo Lacen”.

“São aqueles testes que 15 ou 20 minutos, mas sabemos que só dão positivo depois de muito tempo da pessoa já contaminada pelo vírus e que ele não tem a precisão do outro. Sabemos que realmente nenhum estado brasileiro tem capacidade de responder imediatamente todos que desejam fazer o exame. Peço a todos que apenas as pessoas que tiverem casos mais graves se dirijam às unidades de saúde”, finalizou.