Ao menos 800 pessoas morreram pelo novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados ontem (8). Foram registradas 133 novas mortes nas últimas 24 horas, alta de 20%. O País soma 15.927 casos confirmados da doença. No dia anterior, eram 13.717 -a alta foi de 16%.

O Ministério da Saúde, porém, tem informado que o número real de casos tende a ser maior, já que são testados apenas os casos graves, de pacientes internados em hospitais, e há casos represados à espera de confirmação.

São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil, continua sendo o mais atingido pelo novo coronavírus: são 6.708 casos e 428 mortes.

Na sequência, aparece o Rio de Janeiro, com 1.938 casos e 106 mortes. O Ceará registra 1.291 casos e 43 mortes. Somente o Tocantins não tem mortos por coronavírus.

“Esta taxa de 16% (de alta no registro de casos), mesmo que a gente não consiga testar todos, tem uma condição de nos dizer que estamos em uma taxa entre 15% e 20% e reflete hoje o comportamento das duas últimas semanas. Como as duas últimas semanas nós diminuímos muito a mobilidade social, este número praticamente vem se mantendo”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista ontem.

Mandetta disse estar preocupado com possíveis afrouxamentos das restrições nas grandes cidades. Com relação às mortes, ele ressaltou que, apesar do avanço no número das vítimas, cerca de 85% dos infectados conseguem se curar.

A pasta registrou até ontem 34.905 hospitalizações por síndrome respiratória aguda (SRA), o que representa alta de 277% em relação ao mesmo período de 2019.

Segundo boletim do Ministério da Saúde divulgado no último sábado (4), a transmissão no País está apenas na fase inicial, mas a alta incidência de casos em quatro Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas) e no Distrito Federal já indica uma transição para fase de aceleração descontrolada nestes locais.

No documento, a pasta faz uma revisão da trajetória do vírus e reconhece gargalos diante de uma possível fase aguda da epidemia, como a falta de testes e leitos suficientes.

Das 655 mortes já investigadas, 77% eram de pessoas acima de 60 anos. Há, porém, vítimas mais novas: 112 pessoas com idade entre 40 e 59 anos e outras 38, com faixa etária de 20 a 39. Outros três mortos tinham entre 6 e 19 anos.

A maioria (75%) tinha pelo menos algum outro fator de risco, como cardiopatia e diabetes. Segundo a pasta, 34% das pessoas mortas tinham menos de 60 anos e não apresentavam comorbidades.

Na última terça-feira (7), o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde reforçou a “necessidade de isolamento social” para o preparo da rede de saúde pública. A orientação vai contra o que tem pregado o presidente Jair Bolsonaro, que defendeu isolamento apenas dos mais velhos.

“Qualquer medida de relaxamento não será possível sem o preparo da rede de atenção à população”, diz o texto.

Troca

Com 95% dos leitos de UTI ocupados em meio à escalada de casos do novo coronavírus, o governo do Amazonas anunciou ontem a troca no comando da Secretaria da Saúde (Susam). É o primeiro Estado do País a fazer esta mudança desde o início da crise.

A biomédica Simone Papaiz ocupava até há pouco a secretaria de Saúde de Bertioga, município de 63 mil habitantes no litoral paulista. Agora, passa a administrar o Estado com o maior território do País, com um tamanho equivalente a seis estados de São Paulo e população de 4,1 milhões. Ao se apresentar, via transmissão ao vivo em redes sociais, disse que assume com “orgulho, otimismo e coragem”. “Quero agradecer a Deus, em primeiro lugar, pela oportunidade de estar no Estado do Amazonas e poder colaborar e corroborar com o meu conhecimento para que a gente possa avançar na saúde pública do estado.”()