O modelo feito pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), com as simulações de cenários para o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), tem sido utilizado pelo governo estadual para definir as políticas públicas que determinam as medidas de combate. A situação real sendo melhor ante ao cenário projetado em março foi usada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) como argumento para a flexibilização das medidas de isolamento social no decreto do dia 19. No entanto, o modelo utilizado é antigo e baseado em dados de outras localidades, o que é visto por especialistas como ainda sem conexão com a realidade goiana. A previsão é que um modelo geográfico, por regiões, seja publicado ainda neste mês.

Biólogo e professor da UFG, José Alexandre Felizola Diniz Filho explica que o modelo geográfico é diferente dos estudos divulgados até então e que estão sendo usados pelo governo. “O próximo é outro modelo, já incorpora a faixa etária da população, a localização das pessoas. A gente consegue trabalhar melhor os dados, que estão bem mais atualizados”, informa. Este estudo deve ser apresentado ao Centro de Operações Estratégicas (COE) nesta semana, quando será avaliado e então repassado para o governador. Ele traz mais detalhes quanto à realidade do estudo e auxilia na tomada de decisões em relação ao que foi feito em março.

Diniz Filho reforça que, neste sentido, até mesmo os modelos recebidos pelo governo possuem atrasos, já que demandam da burocracia até chegar para a possibilidade de uso nas decisões. É por esse motivo que a ideia dos pesquisadores é fazer um estudo capaz de manter uma atualização diária dos casos e dos dados de inferência, o que vai permitir um acompanhamento mais atual. Também se leva em consideração que é necessário pensar a situação epidemiológica em cada região estadual em separado e, em muitos casos, utilizar até mesmo a escala municipal. Todas essas nuances já estão incorporadas no novo modelo.

Pelo estágio avançado que o estudo já tinha até a publicação do último decreto, foi possível usá-lo, em certa parte, para a tomada das decisões. A médica e professora da UFG, Cristiana Toscano, conta que uma das conclusões do que se tinha até então era justamente a necessidade de fazer um decreto único para todo o Estado. “No momento, o que o estudo mostrou é que não há ainda previsão de mudar as regras por município”, diz. No entanto, pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir que as prefeituras legislassem regras próprias, o Estado entendeu que o decreto deveria manter essa brecha.

O POPULAR apurou que as situações individuais das cidades foram levadas em consideração para a liberação das atividades religiosas, em que 19 municípios de regiões consideradas problemáticas pela quantidade de casos confirmados tiveram mais restrições. Nos demais casos de flexibilização, o governo procurou estabelecer estudo linear da cadeia econômica mais propícia a não ter aglomerações.