Pela primeira vez no Brasil, um grupo de cientistas, coordenado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), conseguiu identificar três microalgas que produzem biodiesel, em grande escala, 20 vezes mais que a soja, ainda a principal matéria-prima da fabricação de biocombustível. O custo de produção, segundo os pesquisadores, é menor e deve chegar ao consumidor com preço mais baixo que o atual. As espécies também são uma aposta de investimento nas indústrias farmacêutica e de cosméticos.

As microalgas têm sido o foco de estudos no mundo inteiro e, em relação a outras fontes de matéria-prima, apresentam alto potencial biotecnológico, grande teor de óleo e menor impacto ambiental. Desenvolvida por uma rede de 10 instituições nacionais, a pesquisa, iniciada há cinco anos, mantém em sigilo os nomes das três microalgas usadas para produzir 20 vezes mais biodiesel que a soja, por hectare ao ano.

As microalgas foram identificadas entre 450 espécies selecionadas em meio a milhares que existem no mundo. Um carro de testes da UFG já circula com o novo biocombustível. “Hoje o biodiesel já apresenta um preço menor que o do óleo diesel. A ideia com microalgas é, além de baixar o preço, que se consiga produzir outros produtos de interesse da sociedade na mesma via de produção”, diz o pesquisador Nelson Roberto Antoniosi Filho, do Laboratório de Métodos de Extração e Separação (Lames) do Instituto de Química da UFG.

Além da alta capacidade de produção de biocombustível por meio das microalgas, a pesquisa também já identificou que elas podem ser usadas, futuramente, pelas indústrias farmacêutica e de cosméticos. Possibilitam a fabricação de produtos para retardar o envelhecimento e prevenir doenças oftalmológicas e cardiovasculares.

Considerado um dos maiores especialistas em produção de microalgas do País, o professor Roberto Bianchini Derner, do Departamento de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), uma das que integram a rede de cientistas, diz que o cultivo de microalgas deve ser feito em grandes áreas, embora seja fácil, já que depende de água e luz. Os resultados da pesquisa estão compilados na tese de doutorado em Ciências Ambientais pela UFG de Rafael Silva Menezes.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informa que tem investido no desenvovilmento de estudos com microalgas para a produção de biodiesel em nível industrial. O órgão reconheceu a necessidade do desenvolvimento de uma série de estudos, principalmente sobre a diversidade biológica das microalgas, os fatores que influenciam a produção da biomassa, as técnicas de extração e a síntese do biocombustível, o que foi feito na pesquisa.

 

"Microalgas não precisam do desmatamento de novas áreas para se estabelecerem e podem ser produzidas em áreas já devastadas."
Nelson Roberto Antoniosi Filho, pesquisador da UFG