Em apenas dois minutos de discurso, o governador eleito Marconi Perillo (PSDB) declarou ontem que fará um governo de união em Goiás. O tucano ressaltou que a campanha deste ano foi uma luta dura e dispensou boa parte de sua fala para agradecer amigos, família, militância, lideranças e o povo goiano.

O PSDB de Goiás montou a festa da vitória na Praça Cívica, onde cerca de 5 mil pessoas comemoraram a eleição de Marconi. O tucano chegou por volta das 21 horas, sob o som do jingle de sua primeira campanha ? "O tempo novo pede licença para entrar". Marconi foi carregado até chegar no trio elétrico e recebido com euforia ? muitas bandeiras levantadas e o nome dele sendo aclamado em coro pelo público, além do foguetório de praxe.

O trio elétrico estava abarrotado de lideranças ? deputados estaduais, federais, os senadores Lúcia Vânia (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM), que não saíram do lado de Marconi praticamente em todos os eventos deste segundo turno da eleições. Coordenadores de campanha, que discursaram antes da chegada do protagonista da festa ressaltando as dificuldades das eleições, também receberam com entusiasmo o governador eleito.

Antes de pegar o microfone, Marconi parou por alguns minutos para olhar os milhares de eleitores vestidos com o número 45, visivelmente emocionado. Jogou beijos, fez com as mãos o gesto de coração que marcou as eleições estaduais e nacionais.

Antes de começar sua fala, puxou o coro "Bom pro povo é Marconi de novo". Suas primeiras palavras foram de agradecimento: "Obrigado, meu povo, obrigado Valéria (Perillo), meu amor", disse Marconi, abraçando sua esposa e arrancando aplausos do público.

"Agradeço a Deus e ao povo de Goiás pela confiança. A partir de agora, palanques desarmados e Goiás unido pelo bem do Estado", bradou o tucano, com voz rouca e cansada. "Vou fazer o melhor governo da vida dos goianos", prometeu.

"Obrigado a todos por ter acreditado na nossa utopia, nos nossos sonhos, na nossa esperança, nos nossos projetos. A luta foi dura, árdua. Enfrentamos muitas dificuldades", destacou.

"Agora vamos governar pelos próximos anos. E faremos com sabedoria, com união e com amor a Goiás e aos goianos", disse o tucano, encerrando sua fala.

Líder consolidado
Aliados ressaltaram que Marconi consolidou sua liderança em Goiás nestas eleições. "Ele foi testado de uma forma bastante veemente, teve contra ele o presidente da República, a candidata eleita à Presidência, o governo do Estado, as maiores prefeituras. Além das baixarias e das mentiras contra ele, nos quatro anos desse governo", afirmou Antônio Faleiros, coordenador político da campanha de Marconi.

Sobre a transição, Faleiros não perdeu a oportunidade de alfinetar o governador: "É louvável que Alcides Rodrigues (PP) tenha aberto as portas para a transição. Era o mínimo que ele poderia fazer, já que foi tão incoerente na sua postura política".

Demóstenes Torres também ressaltou a liderança que Marconi representa em Goiás, ponderando a força do adversário Iris Rezende (PMDB): "Iris é um grande político e teve apoios muito expressivos, mostrou sua força e seu valor. E Marconi se notabilizou por ter vencido talvez a eleição mais difícil de sua carreira. Foi uma vitória esperada, mas muito suada".

A expectativa de lideranças do PSDB é de que Marconi faça uma reunião ainda hoje ou nos próximos dias para escalar o grupo que ficará responsável em procurar o atual governo e organizar a transição. O tucano também deve traçar a implementação de seu plano de governo.

Urnas têm resultado semelhante ao de 98

Fabiana Pulcineli

Doze anos depois e com os mesmos candidatos em disputa, o resultado das urnas no segundo turno em Goiás teve porcentuais de votos válidos bem semelhantes aos da primeira disputa.

Em 1998, Marconi Perillo (PSDB) enfrentava o então maior líder político do Estado, Iris Rezende (PMDB), e o resultado foi de 53,28% a 46,72%. Ontem, o tucano teve 52,99% enquanto Iris alcançou 47,01%.

Em número de votos, Marconi ampliou a vantagem em relação ao peemedebista de 142,6 mil em 1998 para 174,9 mil este ano.

O tucano segue para o terceiro mandato como governador com 1.551.132 votos e um porcentual que não se alterou muito desde a primeira eleição.

No primeiro turno de 1998, com apenas quatro partidos aliados, o tucano alcançou 48,58% dos votos válidos, perdendo para Iris, que contava com 14 siglas na coligação. A disputa foi para o segundo turno e Marconi garantiu a virada.

Em 2002, contra o peemedebista Maguito Vilela, o tucano alcançou a reeleição já no primeiro turno, com 1.301.554 votos ? sendo 51,205% dos válidos.

No primeiro turno destas eleições, Marconi teve a menor votação proporcional nas três disputas pelo governo ? 46,33%, com 1.400.227 votos.

Em 2006, além de eleger o sucessor ? o então aliado e ex-vice-governador Alcides Rodrigues (PP) ? o tucano se elegeu senador mais bem votado da história de Goiás, com mais de 2 milhões de votos.

Abstenção
Embora os comitês dos dois candidatos estivessem com receio da alta abstenção por conta do feriado, o registro de ausência foi de 22,2%, porcentual menor que de 1998 (23,78%) e próximo do de 2006 (20,4%) ? ambos no segundo turno.