Já são 37 dias desde que o governador Ronaldo Caiado (DEM) anunciou os três primeiros casos confirmados do novo coronavírus em Goiás. Desde então, a vida dos goianos mudou drasticamente e notícias sobre ações do governo para enfrentar a pandemia foram bombardeadas diariamente.

As ações de distanciamento social, tomadas de forma pioneira por Goiás, foram elogiadas por especialistas, os mesmos que agora demonstram preocupação com o possível afrouxamento dessas ações antes do pico de infectados. A criação de novos leitos e hospitais exclusivos para pacientes com o vírus também foi uma atitude considerada acertada, mas o tempo para que isso seja efetivado ainda é incerto, muitos equipamentos ainda estão em processo de aquisição. A unificação de dados sobre o sistema de saúde em Goiás é outro desafio que ainda não foi superado.

O governo de Goiás vai receber até o dia 22 de abril, propostas de preços para a compra de 250 camas elétricas, 250 monitores multiparamétricos e 300 ventiladores mecânicos, conhecidos como respiradores. Estes itens são essenciais para a montagem dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais de campanha em oito cidades e um em Goiânia, que vão receber os pacientes com a Covid-19. Também serão recepcionadas até esta data, propostas de preço para a compra de milhares de kits para testes.

A ideia é tentar ampliar a visibilidade da demanda de Goiás e conseguir fornecedores que não só atendam as especificações exigidas dos produtos e equipamentos, como também aceitem receber o pagamento após a entrega. “Está difícil conseguir os itens. Tem muito importador que quer receber antes. Mas este é um risco que não podemos correr”, explica o coordenador do Comitê Intersecretarial, Pedro Henrique Ramos Sales. Na próxima segunda-feira (20), deve ser publicado um novo chamamento para propostas de preços de outros tipos de teste.

Camas e monitores de hospitais em obras, como o Regional de Uruaçu, e cerca de 210 respiradores que deixaram de ser utilizados por conta do cancelamento de cirurgias eletivas, foram e estão sendo utilizados para ativação dos primeiros leitos do Hospital de Campanha (HCamp) de Goiânia. Dos 269 novos leitos de UTI previstos em hospitais estaduais, apenas 30 estão em funcionamento.

Unificação

Um dos desafios no enfrentamento à Covid-19 é a leitura do cenário atual e as projeções corretas do futuro. Há atualmente falta de dados unificados de todos os leitos do sistema público e privado de saúde. Os dados nacionais, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes) do Ministério da Saúde (MS), nem sempre correspondem à realidade.

Os dados repassados pela Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) não especificam os casos de suspeitos de Covid-19 internados em UTIs. Segundo a entidade, a notificação oficial é detalhada de acordo com as exigências dos órgãos de saúde. A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) oferta o controle de leitos em tempo real dos hospitais estaduais e a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) faz o mesmo com os leitos SUS do município, mas não há uma unificação entre os dois bancos de dados e os de outras cidades com muitos hospitais, como Rio Verde e Anápolis.

O superintendente da Atenção Integral à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), Sandro Rogério Rodrigues, defende esta unidade. Em entrevista ao POPULAR na última quinta-feira (16), ele admitiu a necessidade de criar um espaço com todas estas informações. “Vamos nos reunir com todo mundo e colocar tudo isso em um único painel”, diz. Municípios têm criados seus próprios hospitais de campanha.

Na tentativa de enxergar o futuro, pesquisadores do Instituto Mauro Borges (IMB), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Instituto Federal de Goiás (IFG) têm se aliado ao governo do Estado para realizar projeções da pandemia. Quanto mais informações sobre o cenário presente, mais possibilidade de uma previsão próxima à realidade. Uma destas maneiras é aumentar a quantidade de testes diários.

A SES-GO diz que aumentou de 100 para 250 a sua capacidade de testes diários no Laboratório de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen). Equipes passaram a trabalhar em três turnos e aos finais de semana, foi firmada uma parceria com a Polícia Técnico Científica, mas ainda assim há muitos casos suspeitos à espera da confirmação. Além disso, os testes feitos em laboratórios privados costumam ser inseridos nas estatísticas com atraso. Fato já reconhecido pela superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim.