A médica Lúcia de Fátima Dantas Abrantes, de 66 anos, morreu na última sexta-feira (10) infectada pelo coronavírus no município de Iguatu (CE), cidade localizada a 370 quilômetros ao sul de Fortaleza, conforme a Secretaria Municipal de Saúde e o site G1.

A mulher passou por três hospitais e ficou internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital São Camilo por mais de dez dias. 

No mês de março, por duas vezes, Lúcia desprezou os riscos da doença nas redes sociais. “Existem vírus muito mais potente e que matam muito mais (h1n1 por exemplo) e ninguém está nem aí para eles. Por que será??????”, escreveu a mulher, que também criticou a cobertura da imprensa a respeito da pandemia. 

Já no dia 27 de março, ela compartilhou uma convocação para uma carreata pela reabertura do comércio em Recife, organizada por empresários.

De acordo com a Secretaria de Saúde do município, Lúcia esteve em março em Fortaleza e teve sintomas da doença ao retornar a Iguatu. Ela foi logo internada e o teste para o novo coronavírus deu positivo.

A médica recebeu homenagens de colegas de profissão nas redes. Lúcia trabalhava na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Sítio Gadelha, distrito da zona rural de Iguatu e dava plantões no Hospital Municipal de Quixelô e no Hospital Regional de Iguatu.

Mesmo criticando a medida de isolamento social, a mulher compartilhava nas redes sociais mensagens de defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e de apoio a profissionais de saúde envolvidos no atendimento a pacientes com covid-19. 

Em Goiânia, a técnica em enfermagem e laboratório Adelita Ribeiro, de 38 anos, morreu na manhã do dia 4 de abril com o novo coronavírus (covid-19). Ela trabalhava no Hemolabor, no Hospital do Coração, no Setor Oeste; e no Centro de Atenção Integrada à Saúde (Cais) Novo Mundo.

Um dia depois que Adelita morreu, colegas de trabalho dela da unidade do Hemolabor, gravaram um vídeo em homenagem a técnica. No início do vídeo, Adelita aparece dançando e logo depois aparece cada colega dela batendo palmas e colocando uma máscara. No final, aparece uma foto de Adelita e a frase: “Vamos continuar por você”.

Adelita nasceu em Itapaci, mas desde jovem se mudou da cidade para estudar. De acordo com a prima da vítima, Maria Cláudia, a prima nunca deixou de ser uma filha presente. “Mesmo longe, ela que sempre cuidou dos pais e fez tudo para eles. Tanto que quando ela morreu eles estavam em Goiânia porque ela estava levando eles para algumas consultas de rotina antes do isolamento ser decretado.”