Em todas as sete unidades 24 horas de atendimento de urgência e emergência que a reportagem visitou na manhã da última quinta-feira (26) havia um movimento baixo de pacientes. Segundo o superintendente de Gestão de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), Silvio José de Queiroz, a média de atendimento caiu de 230 pacientes por dia para cerca de 100.

Esta diminuição no fluxo pode ter relação com a migração destes pacientes para as 81 unidades básicas de saúde (UBS) da capital, avalia Queiroz. A recomendação das autoridades de Saúde é que o paciente com sintomas do novo coronavírus só procure as unidades 24 horas caso apresente falta de ar constante. Em casos de sintomas leves, a pessoa deve se recuperar em casa. O objetivo é evitar que a pessoa não contaminada acabe pegando o vírus na unidade de saúde, além de evitar aglomerações.

Apesar desta diminuição ser algo positivo no combate ao novo vírus, ainda há hábitos que precisam ser mudados. “Infelizmente, alguns pacientes têm levado dois acompanhantes. A gente tem orientado que o paciente permaneça na unidade sozinho e evite ao máximo o acompanhante. No caso de idosos, a orientação é que o acompanhante não fique dentro da unidade”, explica o superintendente.

Equipamentos

Queiroz reconhece que existe o temor da falta de equipamentos de proteção individual no decorrer da crise do coronavírus, mas garante que atualmente há EPIs no almoxarifado da SMS. Compras de novos materiais estão sendo feitas diariamente em pequena e média quantidade, já que há dificuldade de conseguir compras maiores. Os equipamentos estão em falta no mercado nacional.

“Temos dificuldade para aquisição? Temos. Temos medo de faltar? Muito, muito receio. Mas no momento ainda estamos servidos”, alerta o superintendente. Ele diz não saber exatamente para quantos dias a quantidade de EPIs vai durar, mas bate na tecla da importância de não desperdiçar estes equipamentos. Apenas profissionais de saúde e pessoas gripadas devem usar máscaras, por exemplo.

No Cais Cândida de Morais, por exemplo, a caixa com máscaras cirúrgicas fica na sala da diretora. Quando o profissional precisa, vai até ela. Segundo Queiroz, havia profissionais que por medo queriam usar duas máscaras de uma vez. Já as máscaras N95, que duram mais e protegem mais, são entregues apenas nos procedimentos necessários e o profissional assina o nome em uma tabela para controle.

 

Sindicato defende que agentes comunitários devem ir para a rua

O presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias do Estado de Goiás (Sindacse-GO), Paulo Gomes de Brito, defende que os profissionais continuem a trabalhar na rua mesmo que não tenham máscara cirúrgica. Ele defende a orientação do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Goiás (Cosems), de que o agente não entre na casa e faça o atendimento na porta, preservando uma distância de dois metros do morador assistido. Parte dos agentes tem manifestado resistência em fazer trabalho de campo devido ao novo coronavírus (Covid-19).

“Eu entendo e vejo a necessidade (dos EPIs). O problema é que tem que ter bom senso. Estamos em uma verdadeira loucura. Mesmo se o Estado quiser comprar, não vai achar para comprar”, explica o sindicalista. Ele orienta que caso necessário adentrar na casa, como em casos de pacientes acamados, aí sim será obrigatório o uso de máscara. 

O trabalho dos agentes comunitários de saúde tem variado de cidade para cidade. No caso de Goiânia e Aparecida de Goiânia, eles continuam a trabalhar na rua, mantendo as precauções de distância. Os agentes de combate às endemias só devem ficar no quintal do morador, para procurar focos de dengue. Já em Anápolis, os agentes comunitários estão fazendo o trabalho por telefone, monitorando moradores com doenças. 
“Os agentes são essenciais na informação, nos trabalhos com prevenção. Vamos para a rua, mas tomando todos os cuidados”, afirma Paulo Gomes. Além da distância, ele orienta que os agentes de saúde devem deixar de pedir para o morador assinar o papel em que são registradas as visitas, o objetivo é não compartilhar caneta e caderno, evitando contaminação.
 
No entanto, dois agentes ouvidos pela reportagem defendem que só deveriam ir para a rua se tivessem equipamentos de proteção. Segundo eles, sem a máscara, por exemplo, eles correm o risco de levar a contaminação de um morador para o outro, servindo como uma espécie de ponte para o vírus.