Atualizada em 13/09 às 11h56

Febre, vômito e dor de cabeça. Estes foram os primeiros sintomas da menina Anna Flávia Silva Maciel, de 4 anos, que morreu após ter sido diagnostica com dengue no último mês de junho, em Aparecida de Goiânia. A menina não foi a única vítima da doença este ano, que já acumula 52 mortes confirmadas em Goiás. Outros 75 casos ainda estão sob análise.

Anna Flávia brincava com uma amiguinha, na noite do dia 13 de junho, quando começou a reclamar de dor na cabeça. Depois veio a febre, o vômito e a menina foi levada para uma unidade de saúde, onde foi examinada, medicada, diagnosticada e liberada para voltar para casa. Ainda doente, Anna Flávia retornou à unidade dois dias depois, onde permaneceu internada até o dia 18, quando faleceu após uma parada cardíaca.

A manicure Jefferlaine Santos Silva, de 19 anos, recorda, em detalhes, os momentos de sofrimento que passou com a filha doente. “Ela tinha pedido para ir à casa de uma amiguinha brincar e eu não deixei. De repente, ela começou a reclamar de dor de cabeça, deitou no colo da minha mãe e aí começou a febre. Demos remédio, a febre desaparecia, mas voltava em seguida. Isso foi numa quinta-feira e na sexta, chegamos a ir à farmácia e ela também começou a vomitar. Fui trabalhar no sábado, como manicure, para ganhar dinheiro e levar ela ao médico.”

No sábado, dia 15 de junho, ela recebeu atendimento pela primeira vez, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasicon, em Aparecida de Goiânia. Anna Flávia passou por exames, foi medicada e, segundo a família, as plaquetas estavam baixas. Ainda assim, o médico mandou ela retornar para casa e continuar tomando soro. A febre passou, mas a dor continuou e o vômito também. No dia 17 de junho, novamente a família retornou ao hospital sem imaginar que Anna Flávia não voltaria mais para casa.

“Para aplicar o soro e fazer os exames, as enfermeiras começaram a furar ela demais. Não encontravam as veias e ela já estava muito fraca. Ela me disse que não sentia mais as pernas”, relada a mãe.

Jefferlaine conta que os médicos foram trocando os plantões. “Cada um me perguntava o que ela tinha. Percebi que ela tinha passado o dia todo sem fazer xixi. Levaram para uma sala de estabilização, me mandaram buscar uma cadeira para eu dormir ao lado dela e quando voltei, estavam furando veias no pescoço dela. Eles também furaram a virilha e ela ficou cheia de hematomas. Chorava de dor, não me reconhecia mais e aí me disseram queriam entubar.”

A família alega atendimento inadequado. “Ela não conseguiu comer, nem mamar. Depois disso não me deixaram mais ver minha filha. Chegou uma ambulância do Samu, assinamos um termo para transferir a Anninha e ela nem chegou a entrar. Morreu ali. Eu devia ter tirado minha filha de dentro daquele hospital”, lamenta.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia afirmou que  aguarda laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) para definição da causa de morte da paciente. Informa que ela recebeu pronto atendimento na UPA Brasicon, onde foi avaliada com suspeita de dengue e  pneumonia e ficou internada. "Os profissionais solicitaram transferência para o HMAP, a vaga foi liberada em trinta minutos, mas infelizmente ela não resistiu."

Municípios

Até ontem, o município com o maior número de casos é Goiânia, com dez vítimas confirmadas. Em seguida, está Anápolis, com cinco. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e diz respeito a 36 semanas do ano.

Segundo dados da SES, pessoas também morreram por dengue em outras 16 cidades do Estado. Águas Lindas de Goiás, Aparecida de Goiânia, Catalão, Inhumas e Valparaíso de Goiás tiveram três casos cada. Ceres, Posse e São Luís de Montes Belos registraram duas mortes. Caldas Novas, Cidade Ocidental, Corumbaíba, Formosa, Iporá, Itapaci, Jataí e Jussara já contam com uma vítima. Em Goiânia, sete mortes são investigadas sob a suspeita de dengue. O mesmo ocorre em Aparecida de Goiânia e em Jataí.

Incidência

Em Goiás, 134.154 casos foram notificados em 2019, o que representa um aumento de 49% com relação ao mesmo período de 2018. Destes, 84.536 foram confirmados.

O Boletim Epidemiológico da SES aponta que o município de Rio Quente, a 176 quilômetros de Goiânia, foi o de maior incidência de dengue nas quatro últimas semanas do ano, da 33ª à 36ª. Nesse período, foram registrados 14 casos da doença na cidade, que possui população de 4.371 habitantes. Assim, segundo o cálculo feito pela pasta, a incidência é de 320 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, o que coloca a cidade em classificação de Alto Risco.

Segundo o Boletim, o coeficiente de incidência “mede o risco da população adoecer por dengue”. A conta leva em consideração o número de casos de dengue no município registrados nas últimas quatro semanas dividido pela população do município. Este resultado é multiplicado por 100 mil.