Um texto compartilhado em aplicativos de mensagens nos últimos dias aponta para uma relação de medicamentos que não devem ser utilizados em caso de suspeita de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19). Aparecem na lista 11 remédios que teriam ibuprofeno em sua composição. A substância foi contraindicada para o tratamento da Covid-19 por entidades médicas, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. No entanto, o POPULAR verificou que dois dos medicamentos não são contraindicados. Para os outros nove, o alerta é correto.

Na mensagem, aparecem os medicamentos Advil, Alivim, Buscofen, Buscopan, Algiflex, Ibuprofen, Algi-Reumatril, Nurofen, Spidufen, Ibuflex e Dorflex. Destes, apenas o Buscopan e o Dorflex não possuem ibuprofeno em sua composição. Portanto, todos os demais podem ser prejudiciais.

Conforme explica o farmacêutico industrial Samuel Fleury, o Buscopan tem como princípio ativo o Butilbrometo de Escopolamina. O Dorflex, por sua vez, é tem em sua composição Orfenadrina, cafeína e dipirona. Até o momento, não há contraindicação relacionada à doença.

Diretor secretário do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Daniel Jesus explica que nenhum medicamento que possui o ibuprofeno como um de seus princípios ativos deve ser consumido por pessoas que podem estar com a infecção. No Brasil, a comercialização de medicamentos do tipo não é tão comum quanto no exterior, segundo ele, por isso a administração do remédio teve destaque no tratamento de pacientes de outros países.

Jesus frisa, no entanto, que a restrição para uso durante o tratamento dos sintomas de Covid-19 se estende a todos os tipos de anti-inflamatórios. Aspirina e corticoides também não são recomendados. Remédios para a hipertensão e tiazolidinedionas (glitazonas), voltadas para o tratamento de diabete, também merecem atenção, apesar de não haver indicação para que tais tratamentos sejam interrompidos por temor da doença.

“Para a diminuição da febre, é indicado paracetamol ou dipirona, que são analgésicos ou antitérmicos. Para o restante, é preciso recomendação médica”, explica ele, que também faz um alerta sobre a automedicação. "Para quem já toma algum desses remédios para tratamento, serve como mais um sinal de alerta. Então, em vez de tentar resolver o problema sozinho, com medo do diagnóstico, é melhor buscar atendimento diante do aparecimento dos sintomas."