O presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, divulgou um vídeo no qual diz que as unidades de saúde da rede particular estão enfrentando grande dificuldade para lidar com os casos de novo coronavírus que chegam à rede particular e pede socorro do poder público.

Helou fala em “extorsão” do mercado na cobrança pelos insumos médicos e reclama da impossibilidade de os profissionais da saúde fazerem consultas e cirurgias eletivas, suspensas por decreto estadual na semana passada.

Em pouco menos de três minutos, Helou cita três situações que complicam a situação dos hospitais: a dificuldade na aquisição de equipamentos de proteção individual (EPIs), o afastamento de profissionais experientes por estarem nos grupos de risco por idade ou comorbidades e a suspensão pelo governo estadual de 100% de atendimentos que não são de urgência e emergência ou preventivos, como cirurgias e consultas eletivas. “São três situações que tem tornado nossa vida um inferno”, comentou.

O presidente da Ahpaceg diz que os hospitais têm encontrado grande dificuldade em conseguir materiais de EPI para proteger os profissionais que estão na linha de frente do atendimento na crise do coronavírus. “Alguns (produtos) simplesmente desapareceram do mercado, outros estão sendo cobrados de nós algo que beira extorsão”, afirmou, citando caso de produtos que tiveram reajuste de 4.000%.

Helou pede que o poder público intervenha no mercado para conseguir os insumos para a rede particular. “Não é por falta de tentar ou de trabalhar ou de correr atrás. Não estamos conseguindo. Nós precisamos que as autoridades públicas nos ajudem neste momento, que confisquem, que tragam, que nos ajudem a adquirir este material.”

As unidades particulares de saúde também estariam, segundo ele, perdendo “mão de obra extremamente qualificada” e estariam com dificuldades para repor estes profissionais que são afastados ou se afastaram por motivo de idade, de doença e de comorbidades.

Por fim, Helou diz que os profissionais estão “proibidos” de trabalhar em atendimentos que geram recursos para que as unidades possam continuar atuando nos casos de urgência e emergência e do coronavírus.

O governo estadual suspendeu 100% dos tratamentos eletivos, com exceção dos casos que possam evitar que os pacientes tenham o quadro clínico agravado no futuro, como hemodiálises. “Estamos proibidos de trabalhar, não estamos podendo fazer cirurgias, internações, consultas, enquanto nosso custo aumentou de sobremaneira esperando a pandemia que virá”, comentou Helou no vídeo.