Equipamentos montados, mobiliário no lugar, médicos contratados e profissionais em treinamento. Esta quarta-feira (25) foi de movimentação no Hospital de Campanha (HCamp) para o enfrentamento ao novo coronavírus (Covid-19) em Goiás. “Está praticamente pronto”, disse o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino em um vídeo gravado para detalhar a situação da unidade que atenderá exclusivamente pacientes graves com a Covid-19. Entretanto, apesar da expectativa sobre a inauguração da unidade, prevista para esta semana, o gestor estadual faz mistério sobre a data de abertura.

Após assumir a gestão da unidade estadual, a organização social Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), que ficará responsável pelo hospital durante seis meses, contratou 406 colaboradores, sendo 89 médicos em especialidades como infectologia, radiologia, cardiologia, cirurgia torácica, pneumologia, medicina intensiva, nefrologia e clínica geral. O quadro de colaboradores inclui ainda uma equipe multiprofissional com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que a OS abasteceu a unidade com materiais, insumos e equipamentos de última geração, como monitores e respiradores, “além de administrar treinamento com simulação realística para todos os profissionais que atuarão na unidade de saúde”.

O HCamp terá como diretor geral o médico infectologista Guillermo Sócrates Pinheiro de Lemos. A também infectologista Marina Roriz será a diretora técnica.

“Estamos tentando capacitar os profissionais o máximo possível, por ser uma doença infectocontagiosa”, disse um profissional da nova unidade, que preferiu não se identificar.

A contratação em caráter emergencial da Agir foi publicada no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (20). A organização social é responsável pela gestão de outras duas unidades de saúde: o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) e o Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). De acordo com o despacho da SES-GO, a contratação por um período de até 180 dias tem o valor estimado de R$ 57.759.449,04.

“O gerenciamento do hospital nos moldes propostos será temporário, apenas enquanto perdurar o estado de emergência causado pelo coronavírus”, diz o documento.

Construído pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (Ipasgo) para ser o Hospital do Servidor, o HCamp tem capacidade de 222 leitos. De acordo com a SES, 30 serão destinados às unidades críticas, 22 aos atendimentos de emergência (Unidades de Emergência Respiratória) e 170 para as unidades semicríticas. Em entrevistas anteriores, Alexandrino afirmou que a abertura dos leitos será progressiva. “Inicialmente 40, depois (mais) 30, depois 38, e assim por diante até chegar à capacidade máxima.”

“Temos 201 leitos preparados”
Apesar de ter dito inicialmente que o Hospital de Campanha para o enfrentamento do coronavírus em Goiás (HCamp) abriria com 40 leitos, o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, sinalizou que ele pode começar a funcionar com um número maior. “Temos capacidade de chegar a 222 leitos, já temos 201 preparados”, afirmou. 

Alexandrino também detalhou a aparelhagem já instalada na unidade. Segundo ele, são “dezenas” de ventiladores mecânicos, para o caso de necessidade por insuficiência respiratória grave. “Em torno de 70 monitores multiparamétrico, com capnógrafo, tudo de última geração, todos com módulos de pressão arterial invasiva, bem como uma estrutura dedicada para diagnóstico.” 

O secretário destacou ainda a utilização de duas tomografias, “sendo que uma já está funcionando”. Aparelhos de ultrassom, beira-leito dedicado, ecocardiograma e raios X digital completam a aparelhagem. 

Regulação
Os pacientes com casos suspeitos ou confirmados serão encaminhados ao hospital por meio da Central de Regulação do Estado (CRE) 24 horas por dia, de acordo com a SES-GO. 

Além de receber os treinamentos, a SES garante que os profissionais que estarão na linha de frente dos atendimentos estarão resguardados com o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), de acordo com as áreas de assistência.