O governo estadual estuda adotar medidas ainda mais restritivas para conter o avanço do coronavírus em Goiás e evitar que as pessoas circulem nas ruas. O titular da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Ismael Alexandrino, diz que o maior rigor se deve ao fato de muitos cidadãos ainda não estarem seguindo as recomendações emitidas por meio de notas técnicas pela pasta. Uma reunião entre o secretário e o governador Ronaldo Caiado (DEM) estava prevista para a tarde desta quinta-feira.

“Muitas pessoas felizmente entenderam o chamamento e estão colaborando, mas temos percebido tantas outras que estão agindo com extrema irresponsabilidade com as suas vidas e as das pessoas que os cercam, sejam familiares, funcionários ou clientes”, comentou.

As discussões sobre novas medidas restritivas, segundo Alexandrino, estariam sendo feitas “mais amiúde” entre o governador e a Procuradoria Geral do Estado (PGE). “A tendência é que haja decreto extremamente restritivo. Não queríamos que precisasse disso, mas as pessoas infelizmente não entendem ou se entendem banalizam e se banalizam não estão atendendo as recomendações. Decreto tem força de lei, quem descumprir pode ir preso, pode ter seu estabelecimento interditado, ter o alvará cancelado, multado. A gente não quer isso, porque estamos chamando à consciência, à mudança de comportamento.”

Ao explicar quais situações a população estaria mais desobedecendo, o secretário citou casos envolvendo procura por serviços de beleza. “Estamos falando de vida, sobrevivência e tem pessoas preocupadas com estética.”

Alexandrino não detalhou quais novas restrições estariam em análise, mas sinalizou que a situação dos bancos está em estudo. De acordo com ele, é importante que fiquem abertos apenas locais que tenham relação com a “sobrevivência humana e animal” e “de forma mais racional” os meios de comunicação, pois “nos ajuda a passar as informações corretas”.

As medidas restritivas foram adotadas pelo governo estadual como forma de reduzir o nível de transmissibilidade do vírus, que é extremamente alto. “É o famoso ‘pega muito fácil’. “Os países que tem tido maior sucesso na contenção dos casos ou pelo menos uma velocidade de transmissão mais lenta, que é o que nós buscamos, são aqueles que estão levando muito a sério a questão do isolamento social”, comentou o secretário.

O titular da SES diz que a curva brasileira de casos confirmados está mais acentuada do que a de Goiás, “mas isso não nos permite arrefecer os esforços e relaxar nas práticas que fazem com que a gente evite essa disseminação”.