Previsto para a tarde desta terça-feira (17), o retorno de uma dupla de goianos do Marrocos para o Brasil foi adiado por tempo ainda indeterminado. Nesta segunda-feira (16), os personal trainers Fernando Cezar Sabino, de 31 anos, e Thaís de Cássia Dias, de 32 anos, que moram em Goiânia, foram surpreendidos ao receber a notícia da suspensão dos voos internacionais que saem do Aeroporto Casablanca, em uma determinação do governo do país africano em meio à pandemia do novo coronavírus.

“O fechamento do aeroporto aconteceu e nós aqui nem ficamos sabendo, porque estávamos no meio do nada, em um passeio no deserto do Saara. Quando voltamos a ter contato com a internet, fomos pegos de surpresa com os cancelamentos dos voos e o fechamento do espaço aéreo marroquino”, disse Fernando, em entrevista ao POPULAR.

Desde então, o casal de amigos tem vivido momentos de aflição e de dificuldades, devido à diminuição dos recursos financeiros e à falta de locais para realizar refeições ou se alojar. Os restaurantes do aeroporto estão fechados e poucos estabelecimentos aceitam fazer vendas que não sejam na moeda local, conforme narram.

Além disso, há dificuldades para conseguir hospedagem em hotéis ou em locais particulares. Segundo eles, há cerca de 150 brasileiros nesta situação. Parte deles aparece em um vídeo que circula pelas redes sociais com um pedido de ajuda. “Ficamos grande parte do tempo no aeroporto. Estávamos sem comer desde ontem, nessa correria, tentando algum suporte”, contou Thais.

Após entrar em contato com a Embaixada do Brasil em Rabat, cidade que é a capital do Marrocos, o grupo obteve a orientação de aguardar o agendamento de um novo voo. “Deram o mínimo de suporte, dizendo que temos que esperar. Dizem que estão lutando para tirar a gente daqui. Mas a maior dificuldade da gente é justamente que os recursos estão acabando”, explica a personal trainer.

Diante de tais problemas, ambos têm também o temor de adoecer após permanecer no local. “Ficar aqui nessa situação nos deixa mais fragilizados e suscetíveis à doença. Pedimos com urgência uma medida do Brasil para nos tirar daqui, como já dissemos diversas vezes para a Embaixada”, frisa Fernando.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou “que a Embaixada do Brasil em Rabat acompanha a situação dos turistas brasileiros no Marrocos desde o primeiro momento, em contato com os próprios brasileiros e com as autoridades locais, buscando prestar toda a assistência consular possível no caso concreto”.

Em outro posicionamento, o órgão diz que está "fazendo todos os esforços possíveis com vistas a tentar viabilizar uma solução para o regresso, para o Brasil, de brasileiros retidos no Marrocos. Recomenda-se a esses brasileiros atenção redobrada aos voos comerciais internacionais que eventualmente poderão partir do Marrocos nos próximos dias, sobretudo de Casablanca".

De acordo com Thais, ainda não foi dada a eles, por parte das autoridades, uma perspectiva de resolução do problema. A companhia aérea com a qual retornariam para o Brasil também não teria apresentado alternativas. “Segundo ela, até dia 28 de abril não terá voo”, disse.