A analista de projetos Andréia Costa, de 26 anos, está na Tailândia e precisa de ajuda para voltar ao Brasil. Desde que a pandemia de coronavírus motivou diversas medidas para contenção do avanço da doença, ela e outros 364 brasileiros espalhados pelo sudeste asiático estão sem condição de voltar para casa. Andréia diz que muitas pessoas já não têm mais dinheiro para se manter e pedem ajuda para alimentação e moradia. “Como estamos sem recursos e sem ter como voltar para casa. Precisamos de ajuda do governo”, diz.

Andréia saiu de Aparecida de Goiânia, onde mora, para passar pelo menos quatro meses em viagem pela região. Ela chegou à Indonésia em 18 de fevereiro, onde permaneceu por cerca de um mês. “Quando cheguei ainda estava tudo normal, tranquilo para turistas. Não havia a preocupação com uso das máscaras e álcool gel, por exemplo.” Ela acrescenta que no dia de sua viagem para o Camboja, sua segunda cidade na lista da viagem, tudo mudou. “Foi quando os países começaram a tomar medidas para conter o vírus e fecharam as cidades”, diz.

A viajante teria que fazer uma escala na Malásia, que havia acabado de anunciar a proibição de entrada de turistas, inclusive em escalas. “Minha preocupação era não conseguir desembarcar, mas cheguei no dia em que as regras passariam a valer. Desde então minha vida mudou aqui. A gente não consegue comprar passagem de volta para casa por alguns motivos, como o preço muito alto e porque muitos voos foram cancelados”, explica. Ela acrescenta que as empresas aéreas não estão ressarcindo os clientes. “Eles apenas remarcam”, diz.

Depois de conversar com as pessoas da cidade, ela disse que decidiu seguir para a Tailândia, que ainda tinha permissão de acesso, onde chegou no sábado. “Comprei passagem para o Brasil para o dia 27, mas ontem (terça) nos disseram que os voos que partiriam daqui também estão cancelados. Desde então eu e outros brasileiros não sabemos mais o que fazer”, ressalta. Ela acrescenta que procurou a Embaixada brasileira em Bangcoc, capital da Tailândia, para pedir ajuda. “Nos informaram que existem 365 brasileiros aqui”, disse.

Entre as sugestões da Embaixada está a repatriação e o fretamento de voo entre Bangcoc e São Paulo. “Mas essa opção está inviável para quem está aqui. O valor ficou em R$ 10 mil. Tem gente aqui pedindo ajuda, moedas, nos aeroportos. Vivendo de doação porque gastaram tudo em passagens para voltar para casa e que não serão ressarcidas, apenas remarcadas sabe-se lá para quando. Então estamos na expectativa de conseguir com que o governo brasileiro tenha condição de vir nos buscar. Estamos muito ansiosos”, relata.

Os brasileiros que estão no sudeste asiático se reuniram em grupos de mensagens instantâneas para buscarem ajuda juntos. “A insegurança nos deixa ainda mais temerosos. Muitas cidades também estão ameaçando fechar acessos e isso implicaria na repatriação de muitas pessoas que estão em cidades do interior, por exemplo. A gente ainda não sabe se vai conseguir sair daqui e por isso precisamos de ajuda”, ressalta a analista de projetos.