Mesmo sem expansão da macrozona urbana em Goiânia na última década, a capital não deixou de crescer desde 2011. A área construída na cidade aumentou 55,64%, saindo de 60 milhões de metros quadrados (m²) para os atuais mais de 93 milhões de m². Os números se referem à soma do tamanho de todos os imóveis edificados no município, com base nos dados cadastrais para fins de cobrança dos impostos territoriais (IPTU e ITU), e mostram, especialmente, a verticalização na cidade. O crescimento, no entanto, na opinião de urbanistas, permanece desordenado e sem respeitar o conceito de cidade compacta apresentada no Plano Diretor de 2007, que ainda previa maior adensamento ao longo dos eixos de mobilidade. Nesse período, foi possível verificar locais que atingiram alta densidade, como a região do Setor Parque Amazônia, na proximidade do Parque Cascavel e da Vila Rosa, e no Setor Marista, entre as avenidas 136 e 90. A expansão não se deu apenas nas regiões Central e Sul, sendo possível observar que houve o desenvolvimento de outros locais, como na Avenida Goiás Norte, sobretudo no entorno do shopping Passeio das Águas, no cruzamento com a Perimetral Norte. Ocorreu também verticalização no entorno do Terminal Padre Pelágio, na Avenida Anhanguera, onde hoje se vê condomínios com mais de três torres no local, e ainda na Região Norte, com um maior número de moradias verticais no Setor Goiânia 2.A vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Janaína de Holanda, afirma que os dados mostram que a cidade está se verticalizando, mas que não há densificação de forma homogênea. “Não se dá ao longo dos eixos. Mesmo no Setor Marista, não segue exatamente os eixos. A densidade ocorre em ilhas na cidade e não de acordo com o Plano Diretor”, diz. A arquiteta e urbanista Maria Ester de Souza reforça que o crescimento não acompanha o Plano porque não houve investimentos públicos onde deveria, como nos próprios eixos. “Tem investimento nos parques, no entroncamento com Aparecida de Goiânia, mas não se tem na Avenida Anhanguera”, exemplifica.Para Maria Ester, que preside a Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (Arca), a ideia de cidade compacta significa a necessidade de fazer investimentos em locais públicos. “Não adianta fazer só o BRT em si, tem que fazer investimentos ao longo do corredor, criar opções para as pessoas. Cidade não é só casa, é também cinema, restaurante. Não tem como uma cidade como Goiânia ser compacta nessa extensão territorial e com essas políticas, nem nos próximos 30 anos”, diz.O presidente do Sindicato da Habitação do Estado de Goiás (Secovi-GO), Ioav Blanche, também arquiteto e urbanista, já entende que o crescimento da cidade se dá sim de acordo com o Plano Diretor de 2007. “Antes só poderia adensar no Setor Bueno e no Parque Amazônia, aí o Plano deixou que fizesse ao longo dos eixos e a cidade cresceu para diversas áreas”, diz. No entanto, ele ressalta que os números apresentados não parecem descrever a realidade.Blanche afirma que o crescimento pode ser a partir de uma defasagem nos dados da Prefeitura. Ele explica que a cidade ainda possui muitos imóveis irregulares e a velocidade de aumento da área construída não é semelhante ao da população de Goiânia, que aumentou 16,53% na última década. A Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh) não quis se pronunciar a respeito da reportagem.-Imagem (Image_1.2306434)