A Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) espera encerrar nesta semana a aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19 e dar início ao grupo de pessoas com doenças pré-existentes que podem aumentar o risco e evolução grave da infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2. A próxima fase será dividida em duas etapas: a primeira terá pessoas com síndrome de Down, grávidas e mulheres que estão no chamado puerpério (período de até 45 dias após o parto) que tenham comorbidades e pessoas com comorbidades entre 55 e 59 anos de idade. A segunda fase englobará uma série de patologias, conforme definição do Ministério da Saúde, e avançará por faixas etárias.

A expectativa da SES-GO é que todos os municípios enviem durante a semana a comprovação de que finalizaram a vacinação nos grupos prioritários que estão sendo vacinados desde janeiro. Integram esses grupos idosos (a partir de 60 anos), profissionais de saúde, população indígena e quilombola e, no caso de Goiás, profissionais da Segurança Pública e de salvamento (policiais civis, militares e prisionais; bombeiros e outros).

Juntos, esses grupos têm aproximadamente 1,1 milhão de pessoas (862 mil idosos, 206 mil profissionais de saúde e 32 mil de segurança e salvamento). Conforme os dados do Portal da SES, que apresentam números do Ministério da Saúde, até agora foram aplicadas e registradas 878,4 mil doses iniciais nesses grupos. Restam, portanto, aproximadamente 373,2 mil doses iniciais a serem aplicadas ou informadas para a SES-GO. Somente com esses dados consolidados é que será possível iniciar a vacinação das pessoas com doenças pré-existentes. “Até agora, poucos municípios enviaram os dados”, diz a superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim.

A SES ainda discute com os municípios se a vacinação das pessoas com comorbidades terá início no mesmo dia em todo o Estado ou se as cidades que estão mais avançadas poderão começar primeiro. Goiânia, por exemplo, só começou a vacinar idosos a partir de 60 anos na sexta-feira (30). Aparecida de Goiânia e Anápolis, por outro lado, estão mais adiantadas e devem concluir o ciclo primeiro. 

A presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Goiás, Verônica Savatin, defende que a vacinação do próximo grupo comece paralelamente em todos os municípios. Ela acredita que, de outro modo, pode ocorrer migração de pessoas de uma cidade a outra para buscar a vacina. Já Flúvia Amorim diz que isso pode prejudicar municípios onde o processo está avançado. "A decisão tem de ser pactuada entre a Secretaria de Saúde do Estado e os municípios”, afirma a superintendente da SES-GO. Uma alternativa é começar pelas regionais que já concluíram a primeira dose nos grupos prioritários iniciais.

Comprovante
Na sexta-feira (30), a SES acertou detalhes sobre o acesso à vacina com entidades médicas que tratam pessoas com comorbidades, como a sociedade de pneumologia e de cardiologia. As pessoas que terão direito à prioridade deverão apresentar uma prescrição médica ou um laudo médico, conforme a tabela de elegíveis do Ministério da Saúde. “Os médicos precisarão liberar esses documentos para agilizar o processo nos postos de vacinação”, afirma. 
Em relação aos profissionais da educação, ainda não há uma definição. O governador Ronaldo Caiado (DEM) anunciou que a imunização deles começará ainda em maio. Porém, a SES-GO aguardar autorização do Ministério da Saúde, pois, no Programa Nacional de Imunização (PNI), professores e trabalhadores administrativos da educação devem ser vacinados apenas após o grupo de comorbidades. O Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual já emitiram recomendação para que o Estado não inclua mais nenhum grupo prioritário fora do cronograma do PNI.

Público
Detalhamento dos próximos grupos a serem vacinados:

Fase I: Vacinar proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponibilizado: 
- Pessoas com Síndrome de Down, de 18 a 59 anos;
- Pessoas com doença renal crônica em terapia de substituição renal (diálise) de 18 a 59 anos; 
- Gestantes e puérperas com comorbidades, de 18 a 59 anos;
- Pessoas com comorbidades de 55 a 59 anos.
- Pessoas com Deficiência Permanente cadastradas no Programa de Benefício de Prestação Continuada (BPC) de 55 a 59 anos 

Fase II: Vacinar proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponibilizadas, as faixas de idade de 50 a 54 anos, 45 a 49 anos, 40 a 44 anos, 30 a 39 anos e 18 a 29 anos:
- Pessoas com comorbidades; 
- Pessoas com Deficiência Permanente cadastradas no BPC; 
- Gestantes e puérperas independentemente de condições pré-existentes.