A carreira acadêmica de Adalberto Ribeiro Sampaio Junior, de 29 anos, foi interrompida após a suspensão de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no mês passado. Atualmente trabalhando como gerente em uma empresa, ele chegou a pedir demissão de um emprego no início do ano na expectativa de receber uma bolsa de pós-doutorado em Ciências da Computação na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas o benefício foi suspenso antes de receber a primeira parcela.

As bolsas de pós-graduação da Capes são passadas para um próximo estudante, conforme o anterior complete seus estudos. Aprovado no pós-doutorado, Adalberto apenas esperava que seu nome fosse colocado no sistema que controla o benefício no início do mês de maio. Enquanto esperava isso, já começou a trabalhar em sua nova função, orientando dois estudantes de doutorado, dando aula e fazendo sua pesquisa, que é o desenvolvimento de aplicações para melhorar a vida na cidade. O recebimento da bolsa era tão certo e de praxe, que o pesquisador já tinha ganho até uma sala própria para trabalhar, dentro da faculdade.

No entanto, além do sistema ter ficado travado no início daquele mês, em seguida a Capes anunciou a suspensão de todas as bolsas que não tinha aluno vinculando, que foram identificadas como “ociosas”. Entre elas estava a que seria de Adalberto. Sem a bolsa de R$ 4.100, ele teve que abandonar o projeto e pedir seu emprego de gerente em uma loja de Anápolis de volta.

Adalberto desenvolvia programas de computador para auxiliar em serviços na cidade, como segurança pública e educação. No meio deste ano estava programada a busca de uma parceria para criar um software que auxiliasse na saúde pública. O projeto era vinculado a Universidade de Lancaster, na Inglaterra, e a Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos. Seu doutorado foi feito parte no Brasil e parte no Canadá. Ele chegou a receber convites para voltar para o país da América do Norte, mas teve que recusar, já que o seu contrato como bolsista determinava que ele devia ficar um período sem sair do Brasil.

“Eu perdi oportunidades e não consegui aplicar ainda meus conhecimentos no Brasil, porque simplesmente o País não consegue me absolver na situação que está”, avalia o pesquisador. Sem perspectiva, Adalberto continua a trabalhar como gerente, em uma área que não tem relação com seus estudos, para sustentar a família e tenta participar de processos seletivos para um pós-doutorado em outra universidade. Apesar de afastado do pós-doutorado da UFG, ainda mantém contato com seus orientandos e dá indicações de pesquisa por conta do vínculo que tem com a área que estuda.

AGU prepara recurso para garantir bloqueio de verbas
A Advocacia-Geral da União (AGU) prepara um recurso para derrubar a decisão da juíza federal Renata Almeida de Moura Isaac, que suspendeu os bloqueios orçamentários realizados pelo Ministério da Educação (MEC) sobre as verbas de custeio destinadas às universidades federais e ao Instituto Federal do Acre. Em sua decisão, a juíza apontou para os riscos de paralisação das atividades das instituições de ensino, o que, na sua visão, “implicará em ofensa ao princípio da vedação ao retrocesso social”.

A juíza federal da Bahia analisou um total de oito ações, uma delas movida pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Para a magistrada, embora seja possível que o gestor público imponha limites para obedecer as leis orçamentárias, “estes não devem permitir a inobservância de preceitos constitucionais, tais como o direito social à educação e a obrigação da União de financiar as instituições de ensino federais”. (AE)