Feirantes da Hippie estão desesperados e muitos já passam necessidade. A afirmação é do presidente da associação dos trabalhadores da feira especial, Waldivino da Silva, conhecido como Divininho. Ele garante que tem recebido reclamações diárias de pessoas que contam não ter dinheiro para as compras básicas, como comida, por exemplo. Eles buscam suporte do governo estadual para conseguirem algum tipo de bolsa para passar por este período de isolamento e consequente proibição do funcionamento do comércio. O governo de Goiás informou que existem linhas de crédito para este público, além de uma ajuda que será anunciada pelo governo federal com o cheque-corona.

Divininho diz que ele não chegou a conversar pessoalmente com o governador Ronaldo Caiado (DEM) ou com algum representante do governo e que este papel ficou a cargo de Jairo Gomes, que é presidente da Associação de Empresários da Região da 44 (AER-44). “Nossas demandas são muito diferentes dos lojistas. Eles são empregadores formais e a maior parte dos feirantes ainda estão na informalidade. Então estas medidas nos afetam de maneira diferente, acredito que muito mais drasticamente”, diz.

Desde a decisão de suspensão do funcionamento de todas as atividades que não sejam essenciais, em 19 de março, o presidente relata estar recebendo muitos pedidos de ajuda. “Tem gente que chega aqui e diz que precisa de ajuda para comprar comida, pagar uma conta de R$ 50. Na semana em que fomos proibidos de montar as bancas, muita gente se desesperou porque pegou o dinheiro que tinha, fez as compras, produziu e não conseguiu vender. Está parado, sem dinheiro e com mercadoria”, ressalta.

Divininho ainda diz que os feirantes pensam em realizar algum tipo de mobilização para chamar a atenção para a gravidade do problema. “Nem que a gente tenha de ir de máscara, ficar afastado um do outro, mas ter esta visibilidade para nossa situação é mais do que necessário. Estamos muito preocupados porque somos milhares de pessoas e estamos com esta dificuldade. Entendemos que existem outros trabalhadores com a mesma reclamação, mas enquanto presidente desta associação, é por este povo que estamos lutando”, reforça.

O governo de Goiás informou que diversas pastas estão com projetos e ampliando programas para atender os afetados pelo fechamento do comércio. A Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), por exemplo, realiza a Campanha de Combate à Propagação do Coronavírus. Dentro da ação recebe doações de recursos para ajudar as pessoas que estão passando necessidade por causa das medidas adotadas para conter a pandemia.

A OVG informou que esta iniciativa, desenvolvida em parceria com o governo do Estado e a Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio-GO), envolve a mobilização dos municípios e entidades sociais para identificar os cidadãos que precisam de ajuda. Além disso, a instituição confirmou que vai entrar em contato com os feirantes da Feira Hippie e outras entidades de classe para levantar as demandas. A OVG e o governo de Goiás estudam a melhor forma de fazer a distribuição das cestas básicas, evitando aglomerações e o risco de contaminação pelo coronavírus.

Além disso, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, informou nesta quarta-feira (25) pelas redes sociais que o governo federal irá beneficiar 40 milhões de trabalhadores informais que já estão passando necessidade. Segundo o ministro o “cheque-corona” deve chegar a R$ 300 para cada beneficiado. Ele ainda não deu mais detalhes sobre o benefício, o que deve ser divulgado ainda nesta semana. A expectativa é que os feirantes estejam entre os beneficiários deste programa emergencial.

Crédito

Além disso, o governo Estadual informa que existem créditos disponíveis para os pequenos e microempreendedores investirem nos negócios. Por meio da Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) e da Goiás Fomento, foi aberta uma linha que tem até R$ 15 mil e que pode ser acessada com menos burocracia. O governo informou que pretende injetar R$ 500 milhões no mercado para o capital de giro emergencial dos pequenos negócios. A quantia poderá ser usada para cobrir custos fixos, como mão de obra, aluguéis e impostos.

Subsecretário da SIC, César Moura diz que os interessados devem entrar em contato exclusivamente pelo telefone (62 3216-4900) ou por e-mail (atendimento@goiasfomento.com), encaminhar os documentos e aguardar análise. Depois a pessoa recebe a resposta e detalha que ela ainda terá prazo de 24 meses para pagar com carência de seis meses a um ano para início do pagamento. Pra quem já possui crédito, ela poderá ter prorrogação de 60 dias para pagamento da parcela de março. “Caso esta situação de comércio fechado se estenda, poderemos ampliar ainda mais estes prazos”, diz.