Para quem está na linha de frente do combate ao novo coronavírus faltam de equipamentos para proteção individual, como máscaras e luvas, álcool em gel para higienização, kits para exames e outros insumos básicos. Faltam também equipes suficientes de enfermagem e de médicos e informações no serviço de triagem de pacientes.

Os relatos fazem parte de um balanço elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a partir de dados de denúncias de médicos que atuam na linha de frente do combate a Covid-19.

Uma plataforma foi lançada no fim de março para receber as denúncias. Desde então, 1.563 médicos cadastrados em sistemas de conselhos regionais enviaram informações. Ao todo, foram apontadas 17 mil irregularidades, distribuídas em cerca de 2.160 serviços de saúde.

Do total de serviços, 85% são da rede pública e 10% da rede privada. Os demais são filantrópicos ou não foram identificados.

A queixa mais recorrente dos médicos foi a falta de equipamentos de proteção individual, ausente em 38,2% dos casos.

Em seguida, os profissionais apontam falta de kits para exames e insumos (citados em 18,9% dos relatos), de recursos humanos (13,7%) e de material para higienização, como álcool em gel (13,5%).

Entre os equipamentos de proteção individual, chama a atenção principalmente a ausência de máscaras N95, indicadas para uso específico por profissionais de saúde. Elas respondem por 24,6% das denúncias de falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). “A vulnerabilidade é total. Se acontecer uma baixa no número destes profissionais, não tem sistema que aguente”, diz Emmanuel Fortes, diretor de fiscalização do CFM.

No balanço, médicos apontaram ainda falhas na organização do processo de triagem, como falta de orientação específica que pudesse ser oferecida a pacientes, acompanhantes e aos próprios profissionais.

Fortes diz que o conselho repassará as denúncias a equipes regionais para fiscalização e para buscar respostas junto a cada secretaria de saúde. O balanço envolve serviços de 546 cidades.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde e os conselhos que representam secretários estaduais e municipais de saúde para comentar os dados, mas não recebeu resposta até o momento. ()