Por conta da suspensão das aulas presenciais como medida de enfrentamento ao novo coronavírus, cerca de 91 mil estudantes de rede estadual de ensino receberam nesta quarta-feira (8) o benefício pago em substituição à merenda escolar. “Toda família que está no Cadastro Único (CadÚnico) e que tem o filho na rede estadual de ensino teve hoje (quarta-feira) depositados R$ 150”, anunciou o governador Ronaldo Caiado.

Caiado explicou que, como a suspensão das aulas vai durar pelo menos até o final deste mês, muitas crianças e adolescentes deixaram de receber alimentação adequada, oferecida nas unidades de ensino. O valor de R$ 150 é pago por aluno. De acordo com a assessoria de imprensa do Estado, o dinheiro, que já está na conta do responsável pelo estudante, é referente a 30 dias, entre 18 de março e 18 de abril. A verba é condicionada à regularidade escolar.

A secretária de Estado de Educação, Fátima Gavioli, explicou que o recurso para o pagamento do auxílio vem do Tesouro Estadual. “Este cuidado é algo que nunca vi antes”, comemorou a gestora da pasta, durante live no jornal O POPULAR na manhã desta quarta-feira, por videoconferência.

As escolas estaduais, assim como as demais redes de ensino, estão sem aulas presenciais desde o decreto do Estado que determinou as medidas de isolamento social, há cerca de três semanas. Neste período, a secretária relata que alguns professores e algumas unidades tiveram dificuldades, mas diz que, de uma forma geral, a adesão e a criatividade da comunidade escolar tem surpreendido positivamente.

As dificuldades, segundo ela, vão desde a adaptação às novas tecnologias até o acesso à internet, passando pelo envolvimento da família que é necessário nesta nova metodologia. “São muitos desafios, era um processo que ia acontecer normalmente esta questão de usar as tecnologias a favor da educação, um processo gradativo e, de repente, em uma semana (precisou)ser instalado”, avaliou.

De acordo com a secretária, das 1.045 escolas estaduais, 903 aderiram às aulas a distância. “Hoje Estados e Municípios da rede pública e privada estão todos enviando atividades com base nas aulas que são elaboradas pelos professores. Existe um respeito com horário e momento que aluno tem de sentar para estudar, tudo isso está acontecendo de forma satisfatória.”

Para Fátima, o envolvimento só foi possível por conta da resolução aprovada pelo Conselho Estadual de Educação de Goiás, de que as aulas não presenciais “apresentassem comprovadamente integração entre professor e aluno, e ensino, poderia contar como dias letivos”. Ela destacou ainda uma definição do Ministério da Educação, que alterou a Lei de Diretrizes de Base determinando que, em casos de pandemia, não fosse necessário cumprir 200 dias letivos e sim as 800 horas. “Foi dada força e muita credibilidade no processo.”

Além de destacar os vídeos diários na internet, a secretária diz que os professores preparam material, dentro do que preconiza a Base Nacional Comum Curricular, imprimem e enviam para as casas das crianças. “Quando retornamos, vamos pegar 8 dias para reforço, reforção, incluindo um sábado. Fechado este reforção, será a avaliação. Aí sim, vou ver quem perdeu. E vermos quantos tiveram porcentagem. E os demais terão reforço no contraturno”, explicou.

No início do isolamento, chegou a se cogitar que as escolas antecipassem as férias escolares, mas Fátima diz que preferiu o ensino não presencial e explicou o motivo. “Adiantar férias tem a questão emocional, férias é para descansar a cabeça.”

 

Seduc quer exibir aulas em canais públicos de televisão

Dos 535 mil alunos da rede de ensino, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) estima que 8% não tenham acesso à internet. Para driblar esta dificuldade do ensino não presencial, a secretária Fátima Gavioli quer que as aulas produzidas em vídeo, disponíveis atualmente na web, sejam veiculada nos canais públicos de televisão.

“Semana que vem vou ter reunião com a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), e minha intenção é pedir duas horas diárias na programação da TV Assembleia e abrir para todo o Estado. Aí sim colocarei professores de todos anos, inclusive do 1º ano ao 5º ano, e até ensino médio. Internet nem todos têm, mas TV sim”, argumenta. A secretária também adianta que buscará parceria com a TV Brasil Central (TBC).
 
Fátima destacou não ter tido problemas com alunos de áreas isoladas, como os Kalungas e os indígenas. O principal problema, segundo ela, ocorreu com estudantes do Entorno do Distrito Federal. “Eles tiveram uma rejeição a princípio. Já os Kalungas e os indígenas foram os primeiros a buscar as atividades. Quem não tem internet recebe impresso.”