Todas as instituições de ensino, públicas e privadas, de Goiás devem ter as aulas suspensas a partir de hoje ou no máximo até a próxima quarta-feira (18), inicialmente por 15 dias. Esta é a determinação da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) publicada na tarde de ontem, como mais uma medida para conter o avanço do coronavírus (Covid-19) em Goiás. A nota técnica da SES-GO estabelece ainda uma exceção, que é a respeito dos cursos universitários voltados para a área da saúde, em que as salas deverão ter um máximo de 10 alunos, preferencialmente em salas com janelas e corrente de ar natural, e não somente ar-condicionado.

Até a última sexta-feira, a suspensão das aulas em Goiás era descartada pelas autoridades. No sábado, no entanto, a situação mudou devido a confirmação de mais um caso de contaminação por coronavírus (Covid-19) no Estado. A diferença é que, neste caso, a contaminação se deu localmente, com o paciente sendo contaminado a partir de outro que já estava em quarentena domiciliar. De acordo com o apurado pelo POPULAR, os administradores das escolas foram convocados para reunião que ocorreu na manhã de ontem, quando se passou a discutir a necessidade da suspensão das aulas.

Na maior parte dos casos, a determinação já foi acatada para hoje, como na rede privada de ensino e nas redes estadual e municipal de Aparecida de Goiânia.

Em Goiânia, o prefeito Iris Rezende (MDB) determinou a manutenção das aulas normalmente nesta segunda-feira, quando também ele deverá se reunir com o seu secretariado para avaliar a determinação estadual. A questão para o município é que a suspensão das atividades escolares afeta o cotidiano dos pais dos alunos, dado que o município é responsável por crianças na primeira e segunda infância, como nas creches e centros municipais de educação infantil (Cmeis).

De maneira geral, no entanto, devido o horário em que a determinação estadual foi publicada, a decisão das instituições de ensino, sobretudo aquelas que atendem estudantes menores de idade, é de que as escolas recebam os alunos hoje para orientação e sem prejuízo àqueles que decidirem não comparecer. Os professores e administradores deverão repassar aos pais, responsáveis e alunos o que deverá ocorrer no ano letivo. Essas definições, por outro lado, só devem vir ao longo do dia, quando as entidades deverão se reunir com a SES-GO e internamente para verificar o que será feito.

A nota técnica da SES publicada ontem pede que a paralisação das aulas ocorra “de preferência por meio da antecipação das férias escolares” e interrompe as atividades escolares por 15 dias, “podendo tal paralisação ser prorrogável a depender da avaliação da autoridade sanitária do Estado”. Até ontem, não havia a definição por parte das escolas particulares e também das redes públicas se a antecipação das férias seria concedida ou se a paralisação seria, burocraticamente, definida de outra maneira pela administração.

Os detalhes sobre a suspensão das aulas, em todos os níveis educacionais, deverão ser explicados pelos secretários de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, e da Educação, Fátima Gavioli, em entrevista coletiva às 10 horas de hoje.

As instituições universitárias do Estado, em geral, aderiram prontamente à determinação da SES, com a paralisação das atividades ocorrendo desde já. A Universidade Federal de Goiás (UFG), de acordo com o reitor Edward Madureira, já discutia a suspensão das aulas. “Mas não fazia sentido a gente tomar essa decisão sozinhos. Agora que veio a determinação, com todos paralisando, vamos acatar.”

Já sobre a exceção à suspensão das aulas, quanto aos cursos da área de saúde, a ideia ainda é que o conteúdo repassado a esses estudantes seja alinhado “às orientações técnicas dos protocolos do Ministério da Saúde (MS) e da SES abrangendo as características epidemiológicas, diagnósticas, clínicas e terapêuticas observadas na COVID-19 e nas demais Síndromes Respiratórias Agudas Graves, com foco no indivíduo e na coletividade.” As universidades ainda não decidiram como esta determinação será acatada pelas instituições.

Casos suspeitos saltam de 22 para 85
O número de casos suspeitos de coronavírus em Goiás saltou de 22 para 85. O dado consta no Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) divulgado ontem. Os casos em investigação já tiveram amostras coletadas para a realização de exames. Os casos confirmados seguem em 4 e outros 49 foram descartados, com resultados dos testes negativos para o vírus. Não há confirmação de mortes pela Covid-19 no Estado.

No sábado, o número de confirmações subiu de 3 para 4, com o registro do primeiro caso de transmissão comunitária no Estado após o teste do marido de uma das mulheres que haviam contraído a doença dar positivo. A mulher em questão mora em Goiânia e havia viajado para o exterior. O homem, no entanto, não tinha saído do País, tendo contraído a doença durante a quarentena da companheira.

Segundo a SES, os números são dinâmicos e, na medida em que as investigações clínicas e epidemiológicas avançam, os casos são reavaliados, sendo passíveis de reenquadramento na sua classificação.

Brasil registra 200 casos

Em um intervalo de apenas 24 horas, o Brasil registrou um crescimento de 65% no número de casos confirmados de infecção pelo coronavírus, com um total que passou de 121 para 200, de acordo com balanço divulgado na tarde de ontem pelo Ministério da Saúde. A América Latina já soma ao menos 612 registros, e países como Argentina e Colômbia anunciaram fechamento de fronteiras.

No Brasil, São Paulo e Rio são os Estados onde há transmissão comunitária do vírus - ou seja, ele já circula nessas regiões. Eles têm 136 e 24 casos da doença, respectivamente, sem nenhuma morte. Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Amazonas têm registros de pessoas que contraíram a covid-19. (Agência Estado)