As escolas da rede privada em Goiás aderiram nesta segunda-feira (18) às aulas por meio virtual, diante do decreto do Estado que suspende a ida de alunos e professores para as unidades de ensino.

A mudança é mais uma medida adotada para conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19). Alunos da educação infantil, ensino fundamental e médio fazem parte deste grupo. A princípio, o novo regime deve funcionar até o  próximo dia 30.

Estudantes e educadores ouvidos pela reportagem concordam que o momento é de adaptação. Nem todas as instituições adotaram o mesmo método. Algumas unidades fazem o uso de aplicativos para o ensino a distância, já outros utilizam sites. O foco, dizem os gestores, é não deixar o aluno sem aula. Ainda assim, continua em discussão uma provável antecipação das férias escolares, caso o período de paralisação das atividades seja prorrogado. É o que destaca o presidente Conselho Estadual de Educação de Goiás (CEE/GO), Flávio Roberto de Castro.

“Diante da situação que temos agora, para prevenção é a melhor opção. Muitos não estão conscientes da gravidade, mas agora mais gente percebe a importância de nos protegermos desta doença e está caindo a ficha”, diz. “Por isso estamos seguindo as orientações do governo (estadual), da Secretaria (de Educação) determinando paralisação das escolas, mas então o conselho soltou esta resolução para o que chamamos de regime especial de aulas não presenciais no sistema educativo de Goiás”, afirma. 

Ele destaca que a resolução mantém alinhamento com as regras federais. “Seja por videoaulas ou redes sociais, plataforma de ensino, o importante é que os 
professores estão montando suas aulas em casa para se manterem seguros e alunos aprendendo”, acrescenta. Castro relata ainda que farão uma nova reunião para debater o assunto nesta terça-feira (19), e seguem em discussão constante para ver de que forma as escolas estão aderindo ao método e como está a adaptação dos alunos.

Experiência Estudante do 2º ano do ensino médio, Gabriel Pinho de Oliveira, de 16 anos, vê a saída como uma boa alternativa. A unidade particular que estuda no Setor Bueno forneceu um aplicativo para os estudantes.  “A plataforma é fácil de mexer, caso tenhamos dúvidas, os professores nos respondem e temos acesso aos vídeos com as aulas. Para não perder o ritmo, sigo os estudantes no horário convencional como se estivesse dentro da sala de aula”, relata. 

A rotina de estudos, tirando as pausas, segue entre 8 horas e 18 horas. “Estou me preparando já para o vestibular de algumas universidades que possuem prova no meio do ano e, por isso, acho melhor seguir o ritmo sem termos de ficar sem aulas até lá”, afirma. Gabriel pretende cursar Medicina. 

Já para Ian Francisco Barbosa Ramos, de 11 anos, a escola particular que estuda aderiu às aulas e atividades repassadas em um site. Ele conta que gostou da ideia e teve facilidade com o formato, mas que alguns colegas de classe relataram problemas. “Uns não têm internet ou  celular. Daí eu tenho ajudado como posso, 
mando foto da tarefa e vamos dando um jeito.”

Para o diretor de estudos do Cope - Prepara Enem, Gilberto Augusto, a ideia é importante para não deixar os alunos sem conteúdo e, apesar das novidades gerarem dúvidas e alguns receios, ele vê com bons olhos a prática. No local, os gestoras preferiram adotar as plataformas convencionais como YouTube e WhatsApp para se comunicarem com pais e alunos. “Estamos explorando todos os recursos disponíveis. Inclusive, estou produzindo lives para orientar os procedimentos que os alunos podem tomar para ter um estudo organizado em casa, mesmo sem o auxílio presencial dos professores”, relata. 

Público
Na rede pública, as aulas estão suspensas nesta semana. No entanto, a partir da próxima semana também devem adotar o método de ensino virtual. É o que adianta a titular da Secretaria de Estado de Educação de Goiás, Fátima Gavioli.

A secretária explica que a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do Conselho Estadual de Educação (CEE) saiu na última terça-feira (17), por isso, esta semana a secretaria ainda está se organizando para oferecer conteúdo por meio virtual. “Naquelas que não for possível ofertar online, farão um calendário de reposição.” 

Apesar de não especificar como será fornecido este novo método, Fátima Gavioli explica que cada professor produzirá seu material, postará para os alunos, e 
cobrará as atividades. “Vamos experimentar algo novo e não temos todas as respostas. Mas não tem como deixar as crianças sem atividades”, ressalta.