O escalonamento no horário de abertura das empresas autorizadas a funcionar em Goiânia deve gerar uma redução de 20% na demanda do transporte coletivo metropolitano a cada hora, de acordo com estimativa da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC). A ideia é que, com a política determinada no decreto municipal que se inicia nesta quarta-feira (29), os terminais e pontos de embarque e desembarque da capital possam ter menos pessoas à espera dos veículos do sistema metropolitano do que se vê há uma semana.

De acordo com o presidente da CMTC, Benjamin Kennedy Machado, com a abertura das empresas de cada segmento em horários diferentes, mesmo que isso só valha para Goiânia, o fluxo de passageiros será diluído ao longo do período da manhã, que tem sido o pico da operação do sistema. Isso se dá, atualmente, porque todas as atividades costumam iniciar por volta das 8 horas, o que gera aglomeração entre 6h30 e 7h30 nos terminais, para que os trabalhadores consigam cumprir o horário de entrada nos serviços.

A partir desta quarta-feira, a CMTC também fará o trabalho de “orientação ao usuário do transporte coletivo para o escalonamento de horários, e que o cumprimento dele tem por objetivo minimizar o fluxo de passageiros em terminais”. Haverá ainda uma ação de pesquisadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia (Sedetec) em oito terminais da capital “fazendo pesquisa de origem destino como forma de coletar dados sobre esta demanda que está dentro do sistema em horários considerados de pico, ou seja, de grande demanda”. O estudo poderá contemplar uma atualização do decreto com informações mais corretas sobre a quantidade de trabalhadores que usam o transporte coletivo por segmento em atividade.

Atualmente, o escalonamento de horários é a única aposta dos técnicos do transporte coletivo e da Prefeitura para tentar amenizar os transtornos causados pela operação durante a pandemia da Covid-19. Isso porque as empresas concessionárias estão obrigadas a transportar apenas passageiros na capacidade de assentos dos ônibus, conforme o decreto estadual que impôs regras de distanciamento social. Ainda assim, houve a retirada de veículos da operação, conforme o verificado por estudo da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), em até 50%, mesmo em desacordo de a decisão liminar do dia 20 de março, que obrigava a operação com 100% dos veículos.

Alternativo

Nesta semana, no entanto, o Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB) deverá levar ao governador Ronaldo Caiado (DEM) a proposta feita pela Cooperativa de Transporte Escolar e Turismo de Goiás (Cooperteg) e Sindiescolar Goiás de utilizar vans escolares e de turismo como transporte alternativo. Presidente da OCB, Luís Alberto Pereira, reforça que a atuação seria de modo provisório e apenas durante a situação emergencial em virtude da Covid-19.

Uma audiência com o governador já foi pedida. O presidente da Cooperteg e Sindiescolar, Adilson Humberto de Lellis, afirma que a primeira ideia dos proprietários de vans seria de transportar funcionários diretamente das empresas autorizadas a funcionar. Em Aparecida de Goiânia, por exemplo, até como medida para desafogar o transporte coletivo, o decreto municipal obriga estabelecimentos com mais de 15 funcionários a realizar o transporte dos mesmos, de forma privativa. “Mas depois veio a ideia de fazer o transporte alternativo, acho que nós daríamos conta sim. Temos de fazer o levantamento ainda de quantos têm o interesse de atuar assim”, conta.

Lellis reforça que não quer fazer nada ilegalmente e, por isso, depende da aprovação do governador e da regulamentação junto às empresas concessionárias, que possuem o direito legal de realizar o serviço. “Teria de plotar os carros e regulamentar quais as linhas, horários, as medidas sanitárias, mas dá para fazer imediatamente”, diz. Presidente da CMTC, Benjamin Kennedy Machado afirma que foi procurado por Lellis há um mês, mas o entendimento é que a decisão tem de ser do governo.