A possibilidade de medidas restritivas às atividades econômicas em municípios goianos, por conta do agravamento da pandemia em algumas regiões, é criticada pelo setor produtivo. Para os representantes de entidades empresariais, comércio e indústria não representam risco de aumento da contaminação, pois seguem todos os protocolos de segurança contra a Covid-19. Os empresários acreditam que a melhor forma de combater a transmissão é aumentar a fiscalização para coibir festas e outras formas de aglomeração.

Com a divisão do Estado em 18 regionais, de acordo com a situação epidemiológica de cada uma, a Secretaria de Estado da Saúde recomendou medidas que variam de acordo com o nível de gravidade da doença: alerta, crítico e calamidade. Para as regiões em situação de calamidade, a recomendação é interromper todas as atividades não essenciais.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), Fernando Machado, os governos tiveram tempo suficiente para se preparar para a segunda onda da doença. Mas, ao invés disso, até reduziram os leitos. “Não deveriam nem estar cogitando fechamento de atividades agora. Não podemos pagar esta conta porque estamos preparados para receber os clientes com toda segurança”, garante. Segundo ele, a solução é coibir festas clandestinas e outras formas de aglomeração. “A população não aceita mais medidas radicais. Cada prefeitura precisa adotar restrições específicas e conscientizar sua população, sem fechar o comércio”. O empresário lembra que metade dos leitos destinados a pacientes com Covid na capital está ocupada por pacientes vindos do interior.

Na visão do presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Sando Mabel, é um erro sacrificar a economia de grandes municípios, como Catalão (região da Estrada de Ferro), por conta da situação da região. “Cada município deve ser analisado individualmente”, diz. Para ele, o decreto precisa assegurar o funcionamento de indústrias de produtos essenciais e de matérias-primas para cadeias produtivas, sob risco de desabastecimento. “As indústrias reforçaram seus protocolos para a segunda onda e mostraram que seus funcionários estão mais seguros trabalhando, pois são rigorosas com as normas sanitárias”, afirma Mabel. Ele também defende a adoção de medidas restritivas específicas contra atividades que geram mais aglomeração, sem generalizar.

<CW-5>O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Goiás (Sindilojas-GO), Eduardo Gomes, vê a possibilidade de lockdown em municípios com tristeza, pois não foram, segundo ele, as lojas abertas que provocaram o aumento dos casos. Para Gomes, o governo precisa ser mais enérgico para fiscalizar festas clandestinas e outras aglomerações. “Um ônibus lotado representa um risco muito maior de contaminação”, diz. Gomes fala em incoerências, já que a nota técnica da Saúde permite reuniões com até 150 pessoas, enquanto a maioria das lojas recebe duas ou três pessoas por vez.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Catalão (ACIC), César Safatle, o comércio precisa continuar aberto com segurança e o melhor caminho é impedir festas e outras formas de tumulto, como filas e ônibus lotados. “Em Catalão, 90% são lojas com dois funcionários que trabalham com toda segurança porque o dono quer se proteger”, afirma. Ele diz que o comércio já foi sacrificado no primeiro isolamento e que é preciso pensar no risco de desemprego e de inadimplência com fornecedores e impostos. Para o presidente da Federação do Comércio de Goiás, Marcelo Baiocchi, cada prefeito deve tomar as medidas necessárias, pois Goiânia está sendo penalizada com o alto índice de ocupação de leitos por pacientes do interior.